Dois estudantes nossos estão em Bogotá. Escrevo essa frase e penso no que ela tem de simples e no que foi necessário para que pudesse ser escrita. Débora Gomes Silvério e Jorge Augusto Nunes de Sá, da linha de Direção, participam de um intercâmbio na Faculdade de Artes ASAB, da Universidade Distrital Francisco José de […]
EDUCAÇÃO | O outro, não o igual
Trabalho com educação e, nos últimos vinte anos, tenho estudado para compreender um pouco melhor o que acontece quando alguém se dispõe a aprender. Leio livros, procuro métodos, ouço pessoas, revejo convicções que, em determinada época, me pareceram definitivas. Algumas descobertas chegam pelo estudo. Outras, pelo constrangimento de perceber que estou errado. Hoje, desconfio que […]
CRÔNICA | Os primeiros espelhos
Um espelho eu não tive. Na adolescência, tive alguns cacos. Pequenas superfícies em que procurava reconhecer alguma coisa de mim, ensaiar o rosto do homem que ainda não sabia como seria. Uma pessoa, um gesto, um modo de ocupar a rua. Eu recolhia essas imagens sem saber que estava fazendo isso. Hoje penso que uma […]
OPINIÃO | O ano de Hugo Possolo
Para falar da nova peça dos Parlapatões, vou começar brigando com Goldoni e com seu tempo. Nascido em Veneza, em 1707, e morto em Paris, em 1793, o dramaturgo escreveu a primeira versão de Arlequim, servidor de dois patrões em 1745. Na peça, Beatriz parte à procura de Florindo, o homem que ama, implicado na […]
BALANÇO | Satyrianas 2026: o que fica depois da chuva
Pela 27ª vez, realizamos as Satyrianas. Entre os dias 9 e 12 de outubro, reunimos 400 atrações em 15 espaços culturais, na Praça Roosevelt e em seu entorno. Vieram trabalhos de 15 estados brasileiros e também do exterior. Centenas de artistas e milhares de espectadores estiveram conosco, trazendo suas histórias, seus modos de criar e […]
SATYRIANAS 2026 | O futuro em cena
Em 2007, colocamos uma lona no meio da Praça Roosevelt e convidamos 78 dramaturgos a ocupar o tempo. Cada um teria uma hora. Parece simples quando escrevo assim, mas era uma pequena desmedida: durante 78 horas, um texto daria lugar ao outro, atravessando as madrugadas, as manhãs, as tardes e as noites. A cidade seguiria […]
OPINIÃO | O desejo entre as flores
Branca Flor é uma jovem que sua comunidade transforma em santa. João do Café é um trabalhador da lavoura. O amor entre os dois perturba uma ordem na qual a devoção parece exigir que uma mulher renuncie à própria humanidade. Em Branca Flor – Auto do Café, o Grupo Paiol, de Arapongas e Ribeirão Claro, no […]
HISTÓRIA | Ribeirão Claro, outra vez ou Onde o teatro cria raízes
Saiu mais um artigo meu, desta vez na revista acadêmica Todas as Musas, integrando o Dossiê Teatro Brasileiro. Em “Teatro, território e pertencimento: o Grupo Paiol e as práticas comunitárias no interior do Paraná”, escrevo sobre o trabalho do Grupo Paiol, de Ribeirão Claro, minha cidade natal, para pensar o teatro que nasce longe dos […]
REFLEXÃO | A vida não assinou nenhum contrato
Outro dia, alguém me contou que estava fazendo tudo certo. Disse exatamente assim: tudo certo. Comia pouco açúcar, quase nenhum sal, caminhava todos os dias, fazia musculação três vezes por semana, bebia dois litros de água, passava protetor solar até para ficar em casa, dormia oito horas, tomava vitaminas, fazia exames regularmente e havia abandonado, […]
TRAJETÓRIA | Os livros que escrevi, os livros que me escreveram
Os livros atravessam boa parte da minha vida e do meu trabalho. Alguns escrevi sozinho, muitos nasceram de parcerias; outros organizei, editei ou traduzi. Há ainda aqueles que não são meus, mas nos quais deixei alguma coisa: um prefácio, uma apresentação, um ensaio, um conto, uma dramaturgia. Reunir essas duas trajetórias é também uma maneira […]
