Todos os Sonhos do Mundo, um diário — Rascunho 8

Quarta-feira chuvosa no início da noite, em São Paulo. Trânsito parado, cidade em colapso. Saio de casa em direção ao Satyros certo de que a apresentação de “Todos os Sonhos do Mundo” seria uma catástrofe. Pensava: quem sairia de casa numa noite dessas?

Minha preparação ontem foi a menos solitária. Recebi a visita do Gustavo Ferreira e do Diego Ribeiro e a luz foi operada pela Maira Cicutti. Os três são atores dos Satyros. Então, minutos antes do início do espetáculo, estávamos todos fazendo baguncinha boa no camarim.

A surpresa foi chegar ao palco e ver que havia um público muito bacana me esperando. Lindo de se ver! Plateia ilustre; com críticos, inclusive.

Mas não foi uma apresentação inspirada, infelizmente. Meu nervosismo ontem foi maior do que os das noites anteriores. Meço isso pela água que consumo durante a peça. Meu objetivo é não beber água alguma. Mas, não sei, vou ficando com a boca ressecada, que me atrapalha a dicção.

Trinta anos de teatro e nunca tinha experimentado isso. Então, sou salvo por uma garrafinha de água deixada em cena antes do início do espetáculo. Curioso é que já consegui fazer a peça sem precisar da água – em pouquíssimas ocasiões, é verdade.

O público que comparece ao Espaço dos Satyros é sempre muito carinhoso e me procura ao final da peça. Sou surpreendido com histórias incríveis. Desde espectadores que se apresentam dizendo que frequentam o nosso teatro desde a nossa chegada na Praça Roosevelt, há quase 20 anos, até os que se identificam com a tema da peça e me relatam histórias e me revelam segredos.

É uma grande experiência esta. Nunca tinha vivido nada parecido.

Temporada chegando ao fim. Restam quatro récitas e continuo à espera de vocês.

 

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CRÍTICA DE JOSÉ CETRA FILHO
CRÍTICA DE MIGUEL ARCANJO PRADO
OPINIÃO DE MARIO BAGGIO
EU FIZ UMA PEÇA PARA NÃO ENLOUQUECER

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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