Crítica: Todos os Sonhos do Mundo – Um Recital Reflexivo Para a Vida

por: Luis Gustavo

O espetáculo Todos os Sonhos do Mundo, que marca os 30 anos de carreira do ator Ivam Cabral, trouxe até o teatro Paiol em Curitiba uma apresentação reflexiva e emocionante sobre nossas vidas e como se portar nela. Durante o seu recital, Cabral carrega suas falas de recordações de sua vida, de sua infância e fatos sobre a sua história pessoal, artística e principalmente de memórias e histórias de sua cidade, Ribeirão Claro, no norte pioneiro do Paraná.

No centro do velho teatro circular, convergindo todos os olhares, o ator recitou vários poemas para o público, inserindo os versos posteriormente no espetáculo principal. Rememorou a vida de um irmão mais velho já morto que, segundo ele, quando vivo, incentivava-o a entrar na vida das artes cênicas. Agradecemos ao incentivo frente ao imenso ator que se tornou.

A apresentação de Cabral integra o rol de espetáculos promovidos pela Companhia de Teatro Os Satyros, fundada em 1989 em São Paulo pelo ator, em parceria com o diretor Rodolfo García Vázquez. Umbilical, a peça leva ao palco o primeiro solo do ator, no qual mescla as histórias de vida com as andanças pelo mundo com sua companhia de teatro.

De poema a poema, de verso a verso, todos conhecem durante o espetáculo as amarguras, os dramas, as alegrias e desafios de Cabral, com os relatos de sua lembrança e também com a leitura de fragmentos de um livro de sua autoria.

O ator ainda realiza uma experiência com o público sobre depressão, suas consequências e tratamento, expondo o período em que foi diagnosticado com o mal e o processo de recuperação e convívio com as dores. Os dramas e os emblemas da vida levam o público à emoção, promovendo uma sinergia entre o palco e a plateia. Em resumo, a apresentação nada mais é que uma reflexão sobre as nossas ações durante a vida.


Olhares de um jornalista sobre o espetáculo

Não fui motivado a ir à peça necessariamente pelo seu conteúdo. Sequer foi pelo conhecimento de quem seria o ator. Mas a vida nos mostra que devemos dar a chance para o desconhecido algumas vezes. E foi uma grata surpresa. A apresentação superou as minhas expectativas.

Pensei, sinceramente, que seria algo cantado ou humorístico. Hesitei em ir diante do nome do espetáculo. Mas quando começou o evento, vi que era diferente do que pensei. Diferente, neste caso, de uma forma positiva.

Quando Ivam Cabral falou sobre as ações que não devemos deixar para depois, foi quando as memórias dele tocaram as minhas. Lembrei da minha falecida avó por parte de pai. Tive muito tempo para visitá-la, para conversar com ela e saber sobre suas histórias. Não aproveitei essa oportunidade. Hoje, forço na memória a única vez em que a visitei. Ela faleceu há sete anos.

Outro momento que me tocou foi sobre o relato de depressão. Em 2015 cheguei perto dessa escuridão sem fim. A maneira que como ele disse sobre como devemos nos levantar e pedir ajuda, fez-me lembrar das minhas atitudes para evitar me afundar mais naquele buraco. Enfim, uma excelente apresentação que o jornalismo me proporcionou com a cobertura do Festival de Teatro de Curitiba. Todos os Sonhos do Mundo é possível, cabe seguirmos em frente!


Fonte:
Mediação, 5 de abril de 2019

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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