Abrir portas, inventar caminhos
Hoje, o dia chega com uma porta aberta. E isso, por si só, já é capaz de mudar uma vida inteirinha. Porque uma porta assim não se limita a permitir passagem. Ela inaugura a possibilidade de começar uma vida nova.
Estão abertas as inscrições para o curso superior tecnólogo em Produção Teatral da SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco, mantida pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.
Não é apenas um anúncio. Porque existe algo de profundamente humano nisso tudo. São oito linhas de estudo que não se organizam como disciplinas, mas como modos de existir: atuação, cenografia e figurino, direção, dramaturgia, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco. Oito caminhos que, no fundo, se cruzam o tempo inteiro, como se o teatro insistisse em nos lembrar que ninguém cria nada sozinho.
Talvez seja isso que mais me comove. A ideia de que estamos construindo não um curso, mas um território. Um lugar onde o aprendizado não se acumula. Ele se transforma. Onde os módulos não são degraus, mas atmosferas. São quatro: verde, amarelo, azul e vermelho. Porque em nossa escola, aprender é atravessar estados, climas, intensidades.
E há algo de silenciosamente revolucionário em oferecer tudo isso de forma gratuita. Porque, num mundo que insiste em cobrar até o sonho, dizer que o acesso é possível já é, por si só, um gesto político. Um gesto de confiança. Quase um pacto.
O curso dura dois anos. Mas sabemos que o tempo, quando atravessado pelo encontro, não se mede assim. Duas horas podem deslocar uma vida inteira. Dois anos, se bem vividos, podem reinventar um destino.
Fico pensando em quem vai chegar. Em quem ainda nem sabe que vai chegar. Em quem, talvez, esteja agora duvidando de si, achando que o teatro é um lugar distante, improvável, inacessível. E, no entanto, é justamente para essas pessoas que a porta se abre.
É um tempo bonito este.
E, como todo tempo bonito, ele já carrega dentro de si o próximo movimento. Muitas coisas começam a se desenhar a partir daqui. Uma pós-graduação já toma forma. Um mestrado nasce em diálogo com África do Sul, Alemanha, Finlândia e Noruega. Em breve, falaremos mais sobre isso.
É o mundo entrando, inteiro, e, ao mesmo tempo, sendo atravessado por aquilo que começou, um dia, como um gesto quase improvável numa praça.
Talvez isso se chame futuro. E por isso seguimos.
Seguimos abrindo caminhos onde antes havia apenas um caminho estreito. Seguimos acreditando que o teatro não é apenas uma arte. É uma forma de organizar o mundo. De sustentar a vida. De imaginar futuro.
E, hoje, o futuro fez sua inscrição.
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