Cumplicidade

Eu tinha seis anos quando na minha escola iria acontecer uma corrida de bicicletas. Por aqueles dias, coincidentemente, tinha ganhado de presente do meu irmão Irineu uma bicicleta azul de três rodas.

Feliz até não poder mais, me inscrevi na competição e, no dia marcado, a escola encheu-se de festa, com os alunos acompanhados de seus familiares. Por qualquer motivo, minha mãe não pode ir e pediu ao meu irmão Dimi — que é quatro anos mais velho do que eu — que me acompanhasse.

Alinhados, os corredores aguardavam ansiosos o apito de dona Marlene, a professora de educação física. Quando, enfim, foi dada a largada, saímos todos em disparada e eu cheguei em último lugar. Ao atingir a linha de chegada, com o coração disparado, eu tremia de vergonha.

Neste momento, vejo Dimi correndo em minha direção, todo sorrisos, com os braços abertos. Quando chegamos em casa, minha mãe foi nos recepcionar no portão, curiosa pra saber como tinha sido a corrida. E Dimi, sem pestanejar, respondeu que eu tinha ido tão, mas tão bem que quase chegara a ser o campeão.

+++ republicando, escrevi há exatos quatro anos.

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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