Tuca foi uma das figuras mais sensacionais da música popular brasileira do final dos anos 1960 e início dos 1970. Digo sensacional no sentido mais amplo da palavra. Ela cantava, compunha, tocava vários instrumentos, criava arranjos e conduzia musicalmente os projetos dos quais participava. E fazia tudo isso sem se deixar prender a uma única […]
OPINIÃO | A cidade também deixa corpos sem cadáveres
Johnny Pancadinha desapareceu. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, mas, em No Banheiro Sujo de Qualquer Bar, texto e direção de Marcio Tito para o Coletivo Tragédia Pop, a morte chega antes de qualquer confirmação. Para aquelas personagens, Johnny foi assassinado. Falta descobrir por quem. Não existe corpo, prova ou testemunha confiável. Talvez nem exista […]
OPINIÃO | Nove meses para encontrar um ator
Ontem, em Bogotá, encontrei um ator. Talvez seja uma das grandes alegrias de quem atravessa tantos anos dentro do teatro perceber que ainda podemos ser surpreendidos. Que, de repente, numa sala, diante de um corpo em cena, alguma coisa se reorganiza em nós e nos faz lembrar por que escolhemos passar a vida inteira nesse […]
Um país que aprende a conviver com o horror
Ontem foi dia de Psicanálise nas Brechas, encontro que realizamos no Cine Bijou todo mês. O filme desta vez foi “Manas”, de Marianna Brennand. Saí da sessão com um aperto no peito. Não era apenas tristeza. Era algo mais indigesto. Uma mistura de revolta, impotência e vergonha coletiva. Como se o filme não tivesse terminado […]
“Rapsódia Guarujá”: sustentar o que escapa
Não é toda obra que pede compreensão. Algumas pedem escuta. E, nesse sentido, “Rapsódia Guarujá”, o espetáculo de Gabriel Alvim, se aproxima mais de uma experiência sensorial do que de uma narrativa a ser decifrada. Ainda que essa narrativa exista, precisa e discretamente desenhada no interior do trabalho. Certas obras não se oferecem de imediato. […]
Marina Lima: o que permanece quando tudo passa
Ópera Grunkie, o mais recente álbum de Marina Lima, já nasce imponente. Talvez seja o trabalho mais importante de sua trajetória. É também um dos mais criativos. Há nele uma musicalidade atravessada por uma modernidade viva, dessas que não perdoam a inteligência, nem as formas que ela encontra para se inscrever no tempo em que […]
Emília em combustão – o Sítio depois da inocência
A história do teatro brasileiro recente não pode ser contada sem o trabalho do Teatro da Vertigem. Desde os anos 1990, o grupo vem nos lembrando que o teatro não é apenas aquilo que se representa em cena, mas aquilo que se experimenta no corpo do espectador. Um espaço de fricção entre arte, política e […]
Quando o corpo vira tragédia – Medea outra vez
Volto a falar de Medea de Sêneca porque a peça não terminou quando as luzes se apagaram. Ela continua reverberando por aqui. E, na reverberação, percebi duas ausências na minha leitura anterior. Já havia falado de Rosana Stavis, de Mariana Muniz e da participação especial de Walderez de Barros – três presenças centrais, três forças que sustentam o eixo trágico da montagem. […]
Medea em estado puro
Assisti ontem, no Sesc Consolação, a Medea de Sêneca. Saí em silêncio. Este trabalho não dá pra aplaudir de imediato. Pede travessia, distanciamento, silêncio. E pede tempo também. E, talvez até, alguma coragem. O mito é antigo. Em Eurípides, Medeia é urgência. Carne viva. A tragédia é construída como quem arma um arco: cada gesto tensiona o inevitável. […]
OPINIÃO | A travessia que nos atravessa: Sobre Morte e Vida Severina da Companhia Ensaio Aberto
Em tempos de performatividades e narratividades, não é todo dia que podemos assistir a um clássico em cartaz. E este, em especial, não é apenas um espetáculo. É uma convocação! Todos deveriam ver. Morte e Vida Severina, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, é um daqueles encontros raros em que o clássico se reencontra […]
