Até este momento, nosso espetáculo Quase Todos fez exatas 70 apresentações, em três temporadas.
A peça estreou no dia 19 de março de 2026, no Sesc 24 de Maio. Desde então, foi fazendo seu caminho pela cidade. Primeiro ali, onde realizamos 16 sessões, e depois no Espaço dos Satyros, para onde seguimos e onde a história continuou.
Na primeira temporada nos Satyros, entre o final de abril e o começo de julho, foram mais 44 apresentações. Em agosto, voltamos para uma segunda temporada, ainda em cartaz. Até o último sábado, 5 de setembro, fizemos outras 10 sessões. Até aqui, foram 70 apresentações da peça.
Setenta vezes em que nos vestimos, entramos em cena e contamos novamente aquela história. Setenta plateias diferentes. Setenta noites em que aquelas personagens existiram diante de pessoas que não conhecíamos e que, durante algum tempo, aceitaram compartilhar conosco suas memórias, seus silêncios, suas perdas e seus afetos.
E há outro número que me surpreende ainda mais: cerca de 7 mil pessoas já assistiram ao espetáculo. É muita gente para uma peça de teatro. Sobretudo para um espetáculo que, depois da temporada de estreia no Sesc, encontrou sua casa num espaço pequeno como o nosso. Sete mil pesoas. Gente que, por algumas horas, esteve conosco dentro da mesma história.
Há alguma coisa bonita na repetição do teatro. Uma peça nunca é exatamente a mesma, embora a gente diga quase as mesmas palavras, faça quase os mesmos movimentos e atravesse quase os mesmos caminhos. Talvez por isso o título continue fazendo tanto sentido para mim. Somos quase os mesmos a cada apresentação. O espetáculo também. O público, nunca.
E ainda não terminamos. Quase Todos segue em cartaz no Espaço dos Satyros até 3 de outubro. E no ano que vem nos apresentaremos em Munique, na Alemanha. Tem muita estrada ainda pela frente.
Por enquanto, são 70. Setenta encontros que existiram apenas uma vez e desapareceram assim que as luzes se apagaram. Talvez seja justamente por isso que vale a pena contá-los.
