Como acordar depois?

Primeiro dia sem a Antonia. Não sinto vazio algum. Sinto medo, talvez. É como se, a partir de agora, eu começasse a viver sozinho nesse mundão de Deus. 

Antonia, desde que chegou em minha vida, sete anos atrás, me protegia. Suas doenças e estado de espírito sempre refletiam o que eu estava sentindo ou vivendo. Foi meu escudo durante sete anos. Não falarei mais sobre isso porque, sei, beira a loucura. Mas, agora, tinha que desabafar. Um segredo que precisava ser dividido.

Não sinto tristeza. Antes, muito agradecimento. Vai fazer falta e setirei saudades. Foi difícil levantar hoje sem ela, que na maioria das vezes me acordava com seu ronronar mais lindo.

Me perdoem por me tornar monotemático. Prometo mudar o disco e falar de outras coisas por aqui. Mas, agora, não dá pra ser diferente. Hoje não dá pra ser diferente.

Embora continue com muitas perguntas sem respostas, vou fazer o que tenho prometido pra mim há anos. Pensar mais, muito mais. E, na mesma proporção, sentir muito mais também. 

Talvez com isso não encontre respostas, mas, tenho certeza, estarei muito mais perto de mim e de todas as questões que considero essenciais para viver mais perto do que me é essencial. Ainda não consegui colocar em prática, mas preciso de muito menos coisas do que tenho acumulado nesses anos todos. Chegará o momento em que flores serei (desculpem a inspiração poética rasa, rs).  

Há muito mais coração para amar, aqui. E vou praticar o amor, sem medida. Preciso, necessito. Pressinto. Um tempo para mim. Continuarei com medo e, sei, não sera fácil. Nem será definitivo. Mas haverá amor. Por você, anjo bom. Só por você, Antonia. 

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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