Caros colegas da Internacional dos Fóruns da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – IF-EPFCL, Em relação ao Manifesto Por uma Psicanálise Decolonial, lançado pelo Coletivo Psicanálise nas Brechas, li a carta de vocês com atenção e inquietação. Preocupa-me sobretudo o esforço em reduzir esse movimento a uma reação episódica ou a uma simples […]
TEORIAS DO TEATRO | Subterrâneos da Cena
Tenho pensado no que nos move, ou melhor, no que nos desmonta por dentro. A palavra “subconsciente” tem voltado com insistência aos meus ouvidos – e não de forma serena, como um sussurro do passado freudiano, mas como um tropeço repetido, uma reincidência ignorante. Vejo vídeos no Instagram – como todos temos feito –, e […]
PSICANÁLISE | Quando Pedro fala de Paulo
Nesses dias, o psicanalista Antonio Quinet enviou uma mensagem com a tradução da fala de uma psicanalista francesa, proferida em um colóquio em Paris cujo tema era diversidade, identidade e singularidade sob o ponto de vista psicanalítico. Preocupado com a repercussão, Quinet traduziu e divulgou o texto para sustentar a ideia de que a senhora […]
CRÔNICA | Rituais para Medir o Silêncio
Se você me encontrar com relógio e anel, saiba: naquele dia eu sou psicanalista. Não que, sem eles, eu deixe de ser. Mas eles, de alguma maneira, me lembram do ofício. No dia a dia, aliás, nunca usei relógio. Nunca. É como se meu pulso tivesse aprendido, desde menino, a respirar fora do tempo. E, […]
CRÔNICA | Um amor que conhece a despedida
Hoje conheci um pouco mais do amor. Eu o descobri na penumbra, no intervalo entre um gesto e outro, no silêncio onde ele se esconde. Sei mais agora – não tudo, nunca tudo – sobre esse amor que não pede licença nem explicação, que se entranha no cuidado e já nasce com a dignidade de […]
OPINIÃO | O avesso do espelho: uma pequena leitura de “A Médica”
Incrível, mas tanto o teatro como a psicanálise não têm medo de tocar naquilo que não se pode dizer. E A Médica, texto de Robert Icke sobre a matriz de Schnitzler, de 1912, dirigido por Nelson Baskerville no Auditório do MASP, é exatamente isso: um dedo no ponto onde a ferida insiste em não cicatrizar. […]
PSICANÁLISE | O poder do ponto final
A psicanálise nunca nos prometeu respostas. Não é desse tipo de ciência que se ocupa. O que ela nos dá, na melhor das hipóteses, é um mapa das nossas feridas. Uma cartografia das dores, com suas cores e suas margens borradas. As respostas, se é que existem, estão sempre além do consultório. O que ela […]
LETRAMENTO | Renda-se: quando a fúria se veste de silêncio
Ontem fazia um frio danado em São Paulo. Sair de casa exigia um pequeno heroísmo. Foi assim que cheguei ao Sesc Ipiranga para assistir à última sessão de “Renda-se”, texto da britânica Sophie Swithinbank, interpretado por Martha Nowill e dirigido, com precisão e risco, por Fernanda D’Umbra. Uma daquelas experiências raras que continuam a nos habitar […]
DECOLONIALIDADE | O grito e as brechas
Algumas escolas de teatro ensinam a projetar a voz, a entrar em cena, a cair com elegância. E outras escolhem, com uma certa teimosia poética, ensinar a cair do mundo e refazê-lo. Um pedaço por vez, como quem varre a casa depois de um terremoto. A Ernst Busch, em Berlim, é dessas que, apesar do […]
CRÔNICA | O tempo é um sujeito impiedoso
Fiquei pensando em uma frase que li ontem, amplamente atribuída a Shakespeare, mas que, ao que tudo indica, teria sido escrita por Henry Van Dyke, que diz: “o tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que sofrem, muito curto para os que festejam. […]
