“A Arte de Encarar o Medo”, um dos melhores espetáculos do ano, segundo o Palco Paulistano

O melhor do teatro em São Paulo em 2020 na visão de José Cetra Filho.

Tenho perfeita consciência que 2020 não é um ano para comemorações, por outro lado acharia muito injusto não celebrar a importância dos espetáculos realizados no primeiro trimestre do ano e também as iniciativas daqueles que bravamente enfrentaram outras linguagens para nos oferecer o que se convencionou chamar de teatro virtual ou web teatro.

Perdemos vários artistas, muitos deles vítimas da covid 19: Flavio Migliaccio, Gésio Amadeu, Cecil Thiré, Jonas Mello, Nicette Bruno, Emílio Di Biasi, Maria Alice Vergueiro, Leonardo Vilar, Miss Biá, Rosaly Papadopol, Tunai, Aldir Blanc, Vanusa, José Mojica Marins, Moraes Moreira, Adelaide Chiozzo, Sérgio Ricardo, Zuza Homem de Mello, para citar apenas alguns. É muita perda para a nossa cultura!

E o nosso país segue rumo ao precipício que além da pandemia tem esse (des)governo que como escreveu José Simão: “nem o Egito teve duas pragas ao mesmo tempo!”

Mas como diz a canção “faz escuro, mas eu canto” e o show tem que continuar e vamos ao que, no meu ponto de vista, aconteceu de melhor nas artes cênicas neste tenebroso 2020.

O ZESCAR é minha lista pessoal. Ele leva em conta os 46 espetáculos ao vivo e os 95 espetáculos virtuais a que assisti no ano e nada tem a ver com a minha participação em comissões de premiação onde os premiados são eleitos por votação e nem sempre correspondem àqueles que a meu ver são os melhores.

Confesso que tive certa dificuldade para acompanhar os espetáculos virtuais por vários motivos: dificuldade de acesso / quedas na Internet durante o espetáculo / perda de concentração nos “pontos mortos” da apresentação / fadiga diante da tela do notebook / excesso de ofertas.

Meus preferidos são contemplados “virtualmente” com o troféu ZESCAR.

Essa história do ZESCAR começou com uma brincadeira. Há muitos anos que faço minha lista particular do que considero os melhores do teatro e do cinema. Minha cunhada um dia brincou perguntando quando eu ia distribuir o ZESCAR (amálgama de Zé com o Oscar do cinema norte americano). A partir daí esse se tornou o nome da minha lista e nos últimos anos eu a torno pública por meio deste blog.

Minha lista está dividida em categorias e não há um número certo para cada categoria (se listo só dois é porque foram só eles, assim como posso listar sete ou mais). Por categoria, a lista está em ordem alfabética.

Neste ano faço uma separação entre TEATRO (que só pode ser ao vivo!) e TEATRO VIRTUAL (neste caso ainda separo aqueles espetáculos criados diretamente para a linguagem virtual e outros que foram verdadeiras recriações virtuais de espetáculos originalmente criados para o teatro)

Seis títulos que comparecem na lista geral merecem um destaque à parte e o ZESCAR DE OURO!

CASA MÃE, espetáculo vindo da França com Phia Ménard, apresentado na MITsp. O terço final é uma das coisas mais impactantes (pelo conteúdo) e arrebatadoras (pela forma) a que eu assisti em toda minha longa vida de espectador tanto de teatro como de cinema.

CENA INQUIETA, série com curadoria de Silvana Garcia e direção de Toni Venturi importantíssima por focar 55 grupos alternativos brasileiros nos eixos teatro negro, teatro de gênero e teatro sócio-político.

JACKSONS DO PANDEIRO, delicioso espetáculo com o Grupo Barca dos Corações Partidos dirigido por Duda Maia criado para o palco, mas belissimamente adaptado para a linguagem virtual.

PANDAS ou ERA UMA VEZ EM FRANKFURT (Bruno Kott) e A ARTE DE ENCARAR O MEDO (Rodolfo García Vázquez) pelo pioneirismo na realização de espetáculos virtuais originais.

PROTOCOLO VOLPONE da Bendita Trupe com direção de Johana Albuquerque pelo pioneirismo em realizar espetáculo com presença de público seguindo todos os protocolos do isolamento social provocado pela pandemia da covid 19.

E o ZESCAR vai para:

ESPETÁCULOS:

TEATRO:
– Bertoleza
– Fóssil
– Na Polônia, Isso É Onde?
– Protocolo Volpone

TEATRO VIRTUAL:
CRIAÇÕES ORIGINAIS:
– A Arte de Encarar o Medo
– Heróis
– Jacksons do Pandeiro
– Pandas ou Era Uma Vez em Frankfurt

ADAPTAÇÔES PARA O FORMATO VIRTUAL QUE RESULTARAM EM UM NOVO ESPETÁCULO:
– A Desumanização
– A Frasqueira de Jacy
– Auto da Compadecida
– Cordel do Amor Sem Fim

DIREÇÃO:
TEATRO:
– Anderson Claudir (Bertoleza)
– Johana Albuquerque (Protocolo Volpone)
– Sandra Corveloni (Fóssil)

TEATRO VIRTUAL:
– Bruno Kott (Pandas)
– Daniel Alvim (Cordel do Amor Sem Fim) (*)
– Duda Maia (Jacksons do Pandeiro)
– Eduardo Tolentino de Araújo (A Penteadeira)
– José Roberto Jardim (A Desumanização) (*)
– Paulo Azevedo (Heróis)
– Rodolfo García Vázquez (A Arte de Encarar o Medo)

(*) Recriações virtuais de espetáculos realizados em anos anteriores

ATRIZ:
TEATRO:
– Isabella Lemos (Uma Lei Chamada Mulher)
– Lavinia Pannunzio (Elisabeth Costello)
– Maristela Chelala (Das Dores)
– Natalia Gonsales (Fóssil)

TEATRO VIRTUAL:
– Denise Weinberg (Uma Aventura Parisiense)
– Luciana Paes (Olar Universo!)
– Martha Meola (Uma Mulher Só)
– Walderez de Barros (Tantas Palavras)

ATOR:
TEATRO:
– Maurício de Barros (Protocolo Volpone)

TEATRO VIRTUAL:
– Paulo Azevedo (Heróis)

DRAMATURGIA:
TEATRO:
– Anderson Claudir (Bertoleza)
– Marina Corazza (Fóssil)

TEATRO VIRTUAL:
– Luís Alberto Abreu (A Semente da Romã)
– Paulo Azevedo (Heróis)

ESPETÁCULOS INTERNACIONAIS:
TEATRO:
– By Heart (Portugal) (MITsp)
– Casa Mãe (França) (MITsp)
– Farm Fatale (Alemanha-França) (MITsp)
– Jerk (França) (MITsp)

TEATRO VIRTUAL:
– Sopro (Portugal)
– Os Persas (Grécia)

ESPECIAIS:
– Cena Inquieta: Série em 26 episódios dirigida por Toni Venturi sobre teatros de grupo brasileiros. Exibida no SESC TV.
– Entrevista com Ariane Mnouchkine por Eduardo Barata da APTR.
– História Recente: 22 mini documentários dirigidos por André Canto e Gabriel Miziara sobre espaços teatrais paulistanos. Exibidos no Youtube.
– Protagonistas Invisíveis: Série em 14 episódios idealizada por André Grecco e dirigida por Adriana S. Lopes sobre técnicos de teatro. Exibida no canal Arte 1.

Fonte: Palco Paulistano

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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