RETROSPECTIVA – DESTAQUES 2011: CENOGRAFIA, FIGURINO E ILUMINAÇÃO

“Cabaret Stravaganza”, foto: Bob Sousa

Responsáveis por envolver o público, um time de profissionais contribui de forma definitiva para estabelecer a estética, linguagem e clima de um espetáculo. Confira os Destaques 2011 do Caderno Teatral em cenografia, figurino e iluminação.

Por Lucianno Maza
São Paulo

Destaques 2011 do Caderno Teatral em cenografia:

Claudio Hanczyc por “Disney Killer”
O argentino Claudio Hanczyc se apropriou do espaço físico de uma pequena sala no SESC Pompeia e transformou seu projeto arquitetônico, ampliando oticamente sua dimensão para um galpão e revestindo paredes, janelas e chão com texturas que davam um aspecto sujo e caótico bastante realista.

Fernando Marés por “Oxigênio”
Com um enorme logotipo do espetáculo ao fundo, o cenário de Fernando Marés para a montagem da Cia. Brasileira de Teatro, de Curitiba, evocava o palco de um show de rock’n’roll.  Preto e inclinado – o que criou profundidade em níveis-, a cenografia lançava mão ainda de efeitos como a neve e uma abertura que revelava simbólica vegetação seca .

Flávia Soares por “Cartas de Amor Para Stálin”
Na cenografia de Flávia Soares, uma casa com móveis de traços retos fazia oposição às paredes assimétricas translúcidas. Assim, cenógrafa e diretor (Paulo Dourado), concebiam o espaço privado – a residência – e o público – as ruas -, amalgamados com os vídeos pesquisados por Gabriel Fernandes  quando a esfera pública tomava as paredes do ambiente privado.

Mira Andrade por “Circuito Ordinário”
Seguindo a direção grandiosa de Otávio Martins para o texto de Jean-Pierre Carrière, Mira Andrade criou uma enorme plataforma de ferro que ocupava todo o palco do Teatro Anhembi-Morumbi. Televisões e câmeras que tanto têm a ver com a temática da espionagem e delação completavam o cenário muito apoiado, também, na mutação de cores do ciclorama.

Destaques 2011 do Caderno Teatral em figurino:

Cynthia Paulino e Paolo Mandaltti por “A Última Canção de Amor Deste Pequeno Universo”
Montagem mineira da Cia. Teatro Adulto que esteve em cartaz no Espaço O Lugar, essa adaptação de “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de J.W.Goethe, tinha como destaque o figurino assinado pela diretora e um dos atores. Peças pretas com rasgos, rendas e um ótimo trabalho em couro, remetiam à juventude e a cert0 sentimento gótico.

Daíse Neves por “Cabaret Stravaganza”
Para o espetáculo heterogêneo do grupo Os Satyros, Daíse Neves concebeu uma infinidade de figurinos em estilos diferentes para atender cada movimento. \entre estes, peças curiosas adereçadas por metais e que hibridavam os gêneros masculino e feminino, e também outras fluorescentes. Todo esse material terminou muito interessante.

Fábio Namatame por “Evita” e “Cabaret”
O figurino chama muita atenção em um musical e, seja na biografia peronista ou no romance com a ascensão nazista como pano de fundo, Fábio Namatame trouxe exuberância. Se no espetáculo de Jorge Takla uma pesquisa esmerada se fez ver, ao lado de José Possi Neto o figurinista foi mais livre e criou também modelos extremamente sensuais.

Niúra Bellavinha por “Cartas de Amor Para Stálin”
Na sagaz leitura de Niúra Bellavinha da transmutação pela qual passava a atriz Bete Coelho nesse texto de Juan Mayorga, um único vestido acinzentado  era tomado pelo negro enquanto a personagem se aprofundava na vivência do ditador Stálin. Era o mesmo negro dos cabelos da atriz, como o ruivo da cabeça de Ricardo Bittencourt era completado por suas vestes caseiras.

Destaques 2011 do Caderno Teatral em iluminação:

Domingos Quintiliano por “Crônica da Casa Assassinada”
A austeridade da iluminação, criada por Domingos Quintiliano, serviu à composição do quadro geral da encenação igualmente austera de Gabriel Vilella para a obra de Lúcio Cardoso. A imponência da luz arquitetural criava a amplitude do espaço físico da casa para, então, dar lugar a feixes menores, mais íntimos e graves como as histórias que se desvelavam em cena.

Guilherme Bonfanti por “O Bosque”
Se montagens sombrias são tendência cada vez mais forte no teatro paulistano, iluminar o escuro não é tarefa fácil. Na montagem desse texto de David Mamet por Alvise Camozzi, Guilherme Bonfanti, ao invés de clarear o espaço, conseguiu escurecê-lo com beleza, contrapondo cores frias a efeitos como os fios iluminados que pendiam do teto.

Marcos Felipe e Nelson Baskerville por “Luis Antonio – Gabriela”
O ator Marcos Felipe e o diretor Nelson Baskerville encontraram inventivas possibilidades para iluminar a multiplicidade de cenas realizadas no espaço alternativo do Centro Cultural São Paulo – onde o espetáculo estreou. Com objetos de iluminação criados e adaptados, o resultado desse material operado pelos próprios atores sintonizou com a proposta de metateatralidade.

Rodolfo Garcia Vázquez por “Cabaret Stravaganza”
De estética identificável, o diretor Rodolfo García Vázquez tem como trunfo sua habilidade em iluminação para alcançar cada cena desejada . Cores sortidas e efeitos igualmente variados criam resultado teatral, com o conhecimento de refletores, filtros e afinações, mas também high tech com os aparelhos alternativos de LED.

Fonte: Caderno Teatral, dezembro de 2011

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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