Por onde andará Alina Vaz?

Alina Vaz é uma importante atriz portuguesa. Tem 83 anos. Segundo a Wikipedia, trabalhou ininterruptamente de 1955, quando estreou no teatro com “Yerma”, de García Lorca, até 2011 onde atuou na série “Camilo, o Presidente”, exibida pela SIC.

Alina fez trabalhos incríveis no teatro e na televisão – foi a mocinha de “Enquanto os Dias Passam”, “talvez” a primeira telenovela portuguesa –, mas foi no cinema que viveu seu ápice, especialmente nas películas “A Costureirinha da Sé” (1959), “As Pupilas do Senhor Reitor” (1951) e “A Maluquinha de Arroios” (1970), seu maior sucesso.

Conheci Alina por volta de 1993, logo que chegamos em Portugal. Trabalhava com o diretor galego-português Xosé Blanco Gil, diretor do Teatro Ibérico, em Lisboa, onde a vimos atuar, entre outros, em: “A Castro”, de Antonio Ferreira e “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente. Nesta altura, Alina tinha 56 anos, a minha idade hoje. Estava em seu melhor momento. Linda – era realmente um mulher muito bonita – e fazendo trabalhos incríveis como atriz.

Trabalhamos juntos no espetáculo “Divinas Palavras”, de Ramon del Valle-Inclán, produção da minha Cia. de Teatro Os Satyros, que ficou em cartaz no Museu da Eletricidade, em Lisboa, em 1997. Neste espetáculo, Alina vivia Marica del Reino, em uma construção antológica e digna de todos os prêmios e elogios.

Alina Vaz sempre foi uma mulher além de seu tempo. Nunca se casou e vangloriava-se de nunca ter dependido de homem algum para fazer tudo o que sempre quis e fez. Apaixonada por fado, me apresentou os grandes clássicos e as grandes vozes do fado. Fomos juntos a tascas e casas de fado, em noites incríveis, pelas ruelas de Alfama ou do Bairro Alto e do Restelo também.

Tenho tentado falar com a minha querida, que não vejo há muitos anos, mas sem sucesso. Amigos comuns me dizem que Alina está reclusa, passando por um período onde não quer falar com as pessoas. 

Procurando por seu nome no Google, encontrei, talvez, o que seria sua última grande entrevista, para o Jornal Hard Música, provavelmente um site, onde o entrevistador – sem identificação – parece conhecer bastante sobre sua carreira e biografia. Infelizmente sem data, podemos supor que a entrevista possa ter acontecido entre 2005 e 2006. Ali, Alina faz um bela reflexão sobre sua vida. Quando perguntam-lhe se é uma mulher nostálgica, ela diz que acredita que “a vida nos acontece simplesmente, e às vezes quase sem darmos por isso”. Mas enfatiza, em algum momento, que sabe que tem que continuar.

Ao final da entrevista, Alina ressente-se um bocado com a falta de oportunidades para os atores mais velhos e nos ensina que em nossa profissão “temos que ter respeito por nós próprios e fazer com que os outros tenham também respeito por nós”.

Você faz falta, Alina…

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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