Podemos falar sobre gestão por aqui?

Os tempos estão mudando assustadoramente. Conceitos, regras e diretrizes praticados até recentemente têm que ser reavaliados a todo instante. Quando, em 2010, implantamos os banheiros de uso comum – o que antigamente se denominava de “unissex –, onde estariam livres os acessos a pessoas de todos os gêneros, isso causou algum desconforto.

Ainda nesta época, fomos conversar com o Sesc, uma vez que pertencemos à categoria dos comerciários e temos colaboradoras transexuais e travestis (sim, são identidades distintas), para tentar o uso de seus nomes sociais. Como provavelmente éramos os primeiros a requerer tal   habilitação, tivemos que lutar bravamente para que nosso pedido fosse aceito. A aprovação aconteceu em 2016, quase seis anos depois do primeiro contato.

Também nos reunimos com várias instituições financeiras. Queríamos garantir às nossas mulheres trans que seus nomes sociais fossem impressos nos cartões magnéticos do banco. Neste terreno, nunca avançamos. Instigados por estas negativas, fomos desvendar o novelo de tramas das burocracias e tivemos outra ideia. Capitaneada pela drª Rachel Rocha, advogada especializada em direito constitucional e em direitos da população LGBTQ+, conseguimos que todas as sete mulheres trans que trabalham conosco conseguissem a mudança de seus nomes e suas designações de gêneros em seus registros de nascimento, por meio de processos movidos na justiça.

Existem outros bons exemplos em áreas como financeiro, também. Estamos em fase de testes de um grande projeto. Por enquanto, uma vez por mês, um de nossos funcionários pode fazer trabalho remoto. Tivemos que adequar nossos sistemas intranet, obviamente, para que os acessos fossem disponibilizados. Antes, ainda, mas desde a nossa formação, nossos colaboradores trabalham com laptops. A questão da locomoção, portanto da geografia, foi fundamental para que essas ideias fossem implementadas.

Não queríamos um funcionário enraizado em suas baias de trabalho. Em geral é isso que acontece. As mesas de qualquer colaborador parecem criar raízes e o trânsito de informações também caminha para o mesmo sentido.

Estamos falando agora das várias vertentes de locomoção. Até porque um funcionário, hoje em dia, gasta muito tempo em seu deslocamento. Rentabilizar isso pode ser bom tanto para a empresa quanto para os funcionários.

A ideia deste projeto é que nossos colaboradores possam fazer trabalhos remotos uma vez por semana. Até dezembro estaremos acomodando e acertando detalhes.

Repito: um local de trabalho é extensão da casa de nossos colaboradores e parte importante de seus afetos mais nobres. E cabe a nós, gestores, propiciar e proporcionar estados de igualdade e horizontalidade. E, neste trajeto profissional, devemos sempre ser um só!

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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