NA MÍDIA: FESTIVAL DE CURITIBA BUSCA CONSOLIDAR O PATAMAR DE PÚBLICO

Principal evento teatral d]no Brasil, evento paranaense quer chegar a 200 mil espectadores

por Diego Viana, de São Paulo.

O festival de Teatro de Curitiba, principal evento da agenda teatral brasileira, entra em sua 21ª edição com a expectativa de superar a marca de 200 mil espectadores. Para atingir o objetivo, conta com oito estréias nacionais e, como trunfo, seis peças que foram contempladas nas últimas semanas com o prêmio Shell, no Rio e em São Paulo.

“O norte do festival é oferecer ao público um leque de chances de ter contato com o que se faz no teatro brasileiro como um todo”, afirma Leandro Knopfholz, organizador do festival e um de seus fundadores, em 1992, quando contava 18 anos. “Entrando na terceira década, este é o evento cultural privado de maior longevidade do Brasil”, celebra Knopfholz.

Segundo o organizador, o primeiro segredo dessa longevidade é a presença reiterada de alguns grandes nomes da cena brasileira. “O Grupo Galpão [de Belo Horizonte] esteve aqui na primeira edição e está aqui de novo. O [diretor] Gabriel Vilela, também”, diz.

O segundo segredo é a capacidade de garimpar novos artistas com a mesma qualidade dos consagrados. “Alguns estão vindo pela primeira vez. Daqui a dez anos, quero poder dizer deles o que eu disse do Galpão”, afirma o organizador.

De hoje até o dia 8, a capital paranaense será tomada por 29 espetáculos na mostra oficial e 365 na Fringe, mostra paralela. Na principal, serão apresentadas produções de seis Estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia.

Em duas décadas, Knopfholz assinala duas mudanças fundamentais no teatro que é feito no Brasil. “A nova dramaturgia brasileira está em um momento excelente, bastante vista e encenada. Quando começamos o festival, só vinham textos estrangeiros, políticos ou clássicos”. Do ponto de vista técnico, o organizador observa uma atenção maior das produções com o aparato tecnológico, como a luz, o some e os cenários.

Segundo Knopfholz, a marca de 200 mil espectadores, com pouco mais de 400 espetáculos (contando a mostra principal e a Fringe, que não tem curadoria e chega este ano à sua 15ª edição), será um patamar estável para os próximos anos do festival. Novas expansões ficarão para mais tarde, porque, segundo o organizador, manter o orçamento igualmente estável se tornou mais difícil nos últimos anos.

“Os insumos da economia da cultura ficaram muito mais caros recentemente. Nossos custos com hospedagem, por exemplo, subiram 50% desde o ano passado. As passagens aéreas estão 100% mais caras”, diz.

Knopfholz lembra que os 14 espetáculos da primeira edição do festival se apresentaram sob a sombra do período de crise do governo de Fernando Collor. As companhias teatrais tinham perdido uma parte importante do público e os sistemas estatais de fomento à atividade artística tinham sido eliminados.

Desde então, a situação quase se inverteu. “A produção teatral está cada vez mais profissionalizada, porque entrou um dinheiro novo no mercado”, diz o organizador.

“A economia da cultura está calcada, hoje, no patrocínio, geralmente a cargo de grandes corporações. A bilheteria praticamente não tem mais peso”, explica. O resultado é que os projetos teatrais que conseguem ser produzidos têm cada vez mais dinheiro. “É preciso ser muito profissional para atrair o patrocínio das grandes corporações”.

A abertura do festival deste ano fica por conta da espanhola “Los Pájaros Muertos”, de Marcos Morau, que se baseia em eventos da vida do pintor Pablo Picasso. Os mineiros do Galpão estrearão seu espetáculo “Eclipse”, que conclui a pesquisa em torno da obra do russo Anton Tchecov iniciada no ano passado, com “Tio Vânia”, também estreada em Curitiba.

Já os cariocas da companhia Os Fodidos Privilegiados homenageiam Nelson Rodrigues – que completaria 100 anos em agosto – , com “O Casamento” e “Escravas do Amor”.

Dentre os ganhadores do prêmio Shell, as cariocas são “Palácio do Fim” dirigida por José Wilker, “Julia”, de Christiane Jatahy, e “Estamira Beira Mundo”, de Beatriz Sayad. As paulistas são “Luiz Antônio / Gabriela”, de Nelson Baskerville, “O Idiota”, de Cibele Forjas, que adapta o romance de Fiodor Dostoievski, e “O Jardim”, de Leonardo Moreira. Os curadores responsáveis pela escolha são os jornalistas Thania Brandão, Lúcia Camargo e Celso Curi.

A partir de 2008, quando Knopfholz reassumiu o empreendimento, do qual estivera afastado desde 2001, o festival se tornou o epicentro de um conjunto de outros eventos na capital paranaense, como “Gastronomix”, “Risorama”, “Guritiba” (de teatro infantil), “Mish Mash”, “Derepente” e “Palco e Plateia”.

Em 2012, a novidade é a “Mostra XXX”, dedicada à sexualidade. São três espetáculos, “Satyricon Delírio”, de Edson Bueno, “Satyricon”, de Rodolfo Garcia Vásquez, da companhia paulistana Os Satyros, e “Ato de Comunhão”, de Gilberto Gawronski. Os dois primeiros são baseados no texto de Petrônio.

Segundo Gawronski, “o festival ousou ao apresentar uma mostra com esse conteúdo, para que se possa discutir a sexualidade. O espectador não vai encontrar cenas de sexo explícito, nem atores nus”.

Durante os 12 dias de apresentações teatrais, as entradas serão vendidas a R$ 50, com meia-entrada a R$ 25. Na mostra Fringe, os preços são variáveis, com espetáculos gratuitos e outros que custarão até R$ 40.

Fonte: Valor Econômico, 27 de março de 2012

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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