MINHA OPINIÃO – “FESTA NO COVIL”, UMA OBRA ATERRADORA

Poder, perda da inocência e contradições sociais, sobretudo

Yolcaut é um homem muito rico que realiza todos os desejos de seu filho, Totchli. Este é o ponto de partida de “Festa no Covil”, do mexicano Juan Pablo Villalobos, narrado em primeira pessoa pelo “precoce” Totchli, que vive isolado em uma mansão.

Tudo parece absolutamente perfeito naquele mundo cor-de-rosa; Totchli tem tudo o que quer, muito mais do que precisa. Porém, à medida que vamos descortinando o dia a dia do garoto, seu mundo começa a ficar sombrio e extremamente triste.

Logo no início do livro, ficamos sabendo que o pequeno Totchli, que pertence ao “melhor bando do universo” e dono da maior coleção de chapéus do mundo, quer porque quer um hipopótamo anão da Libéria, mas eles não são vendidos em pet shops, lojas que, no máximo, vendem cachorros.

Aos poucos, descobrimos que Totchli é filho de um poderoso traficante que o mantém enclausurado e lhe ensina muitas coisas, sobretudo o ódio aos americanos e a lealdade ao crime.

Sob o ponto de vista infantil, Villalobos constrói uma obra aterradora que fala sobre poder, perda da inocência e contradições sociais, sobretudo. Obrigatória!

“FESTA NO COVIL”, DE JUAN PABLO VILLALOBOS
Companhia das Letras

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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