Memórias de uma vida no campo

I

Os dóceis Chico e Cacilda, no campo, ficam irreconhecíveis. Diálogo de um vizinho meu, em Parelheiros.
 
— Você precisa prender seus cachorros. Eles são muito violentos.
 
E olhando fixamente pra Cacilda, que está com cara de poucos amigos:
 
— Principalmente essa rajadinha, aí.
 
Quem acredita?
 
 

II

Foi em 2015. Terça-feira de carnaval, o dia amanhece em Parelheiros. Uns amigos chegam pra nos visitar, estamos no jardim de casa e alguém avista um gambá morto. Do outro lado do jardim, outro amigo encontra, também morto, um “bicho esquisito” — na verdade, um ouriço-couceira.
 
Os animais abatidos são resultado da festança que Cacilda e Chico viveram na noite anterior. Sim, meus queridos, os pobres gambá e ouriço-couceira foram covardemente assassinados — e já que estamos entre amigos, vou abrir todo o jogo — pela… Cacilda! O Chico, tadinho, só foi na onda da doidivanas que, aliás, terminou a noite no pronto socorro.
 
Sim, senhores, porque abater um ouriço-couceira não é tarefa simples, não. O pobrezinho morreu, mas, antes, se vingou bonito. Vejam com seus olhos e tirem suas próprias conclusões.
Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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