Maria Bonomi inaugura obra no Memorial da América Latina que homenageia vítimas da pandemia

Maria Bonomi inaugurou sua mais recente obra no Memorial da América Latina nesta quarta-feira (27). Em uma típica tarde de garoa paulistana e tendo como trilha a voz da argentina Mercedes Sosa (1935-2009) cantando Gracias a la Vida, foi aberta ao público a obra Réquiem para os Tombados pela Covid-19 na América Latina, de autoria da artista visual. A obra está instalada em frente ao Auditório Simón Bolívar, onde Mercedes Sosa cantou em 1989, ano de inauguração do Memorial da América Latina.

Maria Bonomi é integrante do Conselho da Adaap (Associação dos Artistas Amigos da Praça), que gere a SP Escola de Teatro. Diretor executivo da instituição e amigo pessoal de Bonomi, Ivam Cabral acompanhou de perto a cerimônia.

“Saí do evento com o coração na garganta e com a sensação de que estava no centro da história. Maria Bonomi compôs mais do que uma poesia violenta e pujante; criou um importante manifesto de cidadania, sobretudo. Tão, mas tão lindo ver a arte caminhar no centro das apreensões da contemporaneidade. Viva Maria! E obrigado por tanta beleza e sensibilidade!”, declarou Ivam Cabral, diretor executivo da Adaap e SP Escola de Teatro.

Bonomi já assina a obra Etnias – Do Primeiro e Sempre Brasil, que fica na entrada do Memorial e homenageia os povos originários latino-americanos. Desta vez, em seu novo trabalho, ela presta tributo às vítimas da pandemia no continente.

Em seu discurso, Maria Bonomi lembrou a dor que invadiu as famílias nos últimos dois anos. “Estamos reunidos pela materialização de uma ideia, de uma angústia, que se floreou a partir de uma conversa minha com o Jorge Damião [presidente do Memorial da América Latina]. Esse lugar público tinha a obrigação de representar este momento do Brasil e dos povos latinos. Este momento de reflexão, de vazio. Me doeu muito fazer esta obra, mas foi necessária”, pontuou.

A artista ainda agradeceu representantes dos países da América Latina que estavam presentes no evento ao lado das lideranças religiosas, que promoveram um ato ecumênico com palavras de conforto àqueles perderam familiares na pandemia.

Jorge Damião, presidente do Memorial da América Latina, fez discurso emocionado, no qual lembrou que também perdeu familiares para a Covid-19. “Eu, em especial, perdi uma irmã, meu cunhado e muitos amigos. Esta obra representa esta emoção, nós nos igualamos neste sofrimento. Quero que levem esta saudação a todos que se foram”, declarou.

Ivam Cabral, diretor executivo da Adaap (Associação dos Artistas Amigos da Praça) e da SP Escola de Teatro, compareceu à cerimônia e ressaltou a importância da obra de Bonomi.

Também estiveram presentes na cerimônia a secretária executiva de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Claudia Pedroso, representando o secretário estadual Sérgio Sá Leitão, e a secretária-adjunta de Cultura da Cidade de São Paulo, Andréa Souza, que representou a secretária municipal Aline Torres, além de Diulio Malfatti, responsável pelos Projetos Especiais de Comunicação do Sebrae e que foi Secretário de Marketing e Publicidade do Governo do Estado de São Paulo.

Réquiem para os Tombados

O trabalho, em forma de triângulo, com duas mãos postas em oração, contêm em suas superfícies 23 mapas vazados dos países: Antilhas Holandesas, Argentina, Aruba, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Haiti, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai e Venezuela.

A obra possui duas placas com alturas de 6m e 4m por 2,40m de comprimento, ocupando uma área de mais de 5m, e representa a cicatriz e dor das famílias que perderam seus entes queridos para a Covid-19. O projeto é de autoria do Atelier Maria Bonomi, arquitetura de Rodrigo Velasco e realização de Diran Garabed Topalian e contou com o apoio do Governo do Estado de São Paulo.

Fonte: SP Escola de Teatro

+++ na foto em destaque, Maria Bonomi com Jorge Damião, presidente do Memorial da América Latina

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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