Livro gratuito cataloga grupos de teatro do interior e do litoral de São Paulo

Obra dá continuidade a mapeamento organizado por Ivam Cabral, da cia Os Satyros e da SP Escola de Teatro

Diogo Bachega

O selo Lucias, da Associação dos Artistas Amigos da Praça – organização social da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, responsável pela gestão da SP Escola de Teatro – lança nesta quarta-feira “Teatro de Grupo em Tempos de Ressignificação: Criações Coletivas, Sentidos e Manifestações Cênicas no Estado de São Paulo”. É um nome comprido de um esforço hercúleo de catalogar grupos de teatro do interior e do litoral do estado de São Paulo.

O livro dá continuidade ao trabalho de “Teatro de Grupo na Cidade de São Paulo e na Grande São Paulo”, que tem Zé Celso estampado na capa e mapeia 194 coletivos teatrais. No novo volume, são mais 335 que tiveram suas histórias e processos criativos compilados em um tijolo de quase 900 páginas.

A obra será distribuída gratuitamente no lançamento, que acontece nesta quarta, às 19h, na SP Escola de Teatro, localizada na praça Roosevelt, 210, no bairro da consolação.

Ivam Cabral, cofundador da companhia Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro, assina a organização do livro junto a Alexandre Mate e Marcio Aquiles, os principais organizadores do livro anterior, além de Elen Londero.

“Quando a gente estava mapeando a cidade de São Paulo, começamos a perceber que havia um movimento muito potente no interior”, afirma Cabral. “Criamos uma rede de pesquisadores distribuídos pelas 15 regiões administrativas do estado de São Paulo. Foram 50 pessoas que vieram trabalhar com a gente.”

“A gente não tinha ainda noção da grandeza da nossa representatividade. Com este livro agora em mãos, a gente vê que somos um grande exército”, afirma Cabral. “Não tínhamos um documento que atestasse que nós somos. É como dar cidadania a um cidadão que não tinha um registro de nascimento até então.”

Entre os achados do livro, Cabral menciona o Teatro Experimental do Negro, grupo criado por Abdias do Nascimento que é parte fundamental da história das artes cênicas e tem continuidade em Campinas, longe de suas origens no Rio de Janeiro.

Outro caso chamativo é o do Circo-Teatro Guaraciaba, grupo familiar de Votorantim. O coletivo foi criado em 1956 e segue de pé. Para Cabral, eles têm um papel de ressignificar os procedimentos cômicos através do palhaço.

“Há uma profissionalização [nos grupos do interior] que está muito distante do modus operandi de uma companhia de São Paulo. A maioria não tem fontes de recursos, então as produções são frutos do trabalho diário deles”, ele afirma. Esses teatros se sustentam dando oficinas e formando atores, por exemplo, para obter os seus recursos.

“Teatrólogos consagrados ainda são fontes de referência teórica bastante citadas pelos grupos do interior e do litoral do estado de São Paulo, que representam o corpus de nossa pesquisa. O nome de Bertolt Brecht teve 61 cifrações diretas como referência importante para os coletivos, seguido de Constantin Stanislavski, com 33, Augusto Boal, com 32, e Viola Spolin, com 18 menções”, escreve.

Em depoimento para o livro, Marília Marton, secretária de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, elogia a audácia da empreitada que deu origem ao livro.

“Sem sombra de dúvidas, podemos afirmar que jamais houve um estudo tão abrangente sobre o fenômeno teatral paulista, do ponto de vista da extensiva catalogação documental ou da fartura descritiva e analítica”, ela afirma.

Ivam Cabral conta que o selo já definiu seu próximo objetivo, que será mapear os grupos de teatro nas outras capitais do Brasil – trabalho que deve render mais do que um único livro.

“Ter uma pesquisa forte para defender nosso setor é muito importante. Acho que é nossa vez de trabalhar para a história que esses coletivos batalhem com a gente.”

 

TEATRO DE GRUPO EM TEMPO DE RESSIGNIFICAÇÃO

Quando Lançamento em 4/10, às 19h

Onde SP Escola de Teatro – Unidade Roosevelt – Praça Roosevelt, 210, São Paulo

Preço: Gratuito

Autoria Alexandre Mate, Elen Londero, Ivam Cabral e Marcio Aquiles

Editora Selo Lucias/ADAAP

Link: https://www.spescoladeteatro.org.br/biblioteca/selo-lucias

 

Fonte: Folha de São Paulo

 

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