LÁGRIMAS DO BRASIL

Minha amiga nos últimos tempos tem convivido com seriíssimos problemas oculares. Está perdendo a visão

Ela tem uns 40 e tais anos e uma doença rara: a síndrome de Sjögren. Dentre muitas outras coisas, a doença causa a xeroftalmia, desfunção das glândulas lacrimais, que faz com que os olhos fiquem secos. A secura também pode afetar a pele e as mucosas nasal e vaginal. Mas a afecção pode ser bem mais cruel. Em casos mais avançados, costuma agredir rins, pulmões, fígado, pâncreas, cérebro e vasos sanguíneos.

No caso da minha amiga, apenas a xeroftalmia a afetou. Então, ela precisa de colírios que não contenham cloreto de benzalcônio. Aqui no Brasil, isso é tarefa bem simples. Um frasco destas lágrimas artificiais pode ser encontrado em qualquer farmácia por, em média, R$ 20,00.

Mas a minha amiga vive em Cuba, onde a questão da saúde é, digamos assim, um tanto controversa. Na terra de Fidel, eles praticam a medicina preventiva – e, justiça seja feita, são bons nisso – mas têm pouquíssimos recursos para a terapia curativa.

Assim, esses remédios para dores de cabeça e enxaquecas, que encontramos em qualquer farmácia, para os cubanos é algo quase impossível. A não ser para aqueles que têm familiares ou amigos no exterior.

Então a minha amiga nos últimos tempos tem convivido com seriíssimos problemas oculares. Está perdendo a visão.

Viajei pra Havana no domingo passado. Dentre as várias encomendas que levei em minha bagagem, lá estavam dezenas de frascos de colíricos. E, ao me despedir de minha camarada, depois de um abraço apertado, o agradecimento:

– Gracias por las lágrimas.

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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2 comentários em “LÁGRIMAS DO BRASIL

  1. Li recentemente o livro \O todo Cotidiano\ da Zoé Valdés que é um romance com alguns traços autobiográficos da autora e fala da situação de Cuba como um pano de fundo mas na verdade é um livro bem político e faz uma crítica que quem já viveu no regime de Cuba……é muito triste as pessoas passam por situações e hoje os hospitais para os cubanos são péssimos, e as p segundo a escritora as pessoas morrem por falta de medicamento e de atendimento médico correto!!!!

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