As salinas de Rio Maior

Rio Maior é uma cidadezinha do Ribatejo, uma hora e meia de Lisboa de ônibus, ou uma hora de carro. É aqui que nasceu e vive o meu amigo Rui Germano, onde estou agora.

Há muitas histórias por estas bandas. A cidade é não é banhada pelo mar, mas cheias de salinas, ex-líbris de Rio Maior, pertencendo mesmo à sua simbologia heráldica.

Estas Salinas ou Marinhas de Sal, encontram-se num vale no sopé da Serra dos Candeeiros, a três quilômetros da cidade ou a cerca de 30 quilômetros do oceano, rodeado de arvoredo e terras de cultivo, especialmente de vinhas e oliveiras. Nesta época, as pirâmides de sal estão a secar ao sol. 

Encontramos explicações na ciência que afirma que há cerca de 200 milhões de anos o mar ocupava esses terrenos e que, com o tempo, foi se afastando, deixando no local um imenso lago que, com o tempo, secou. 

A presença de vida marinha por aqui pode ser comprovada pela infinidade de fósseis que se encontram na Serra dos Candeeiros. 

O mar desapareceu e deixou por aqui o sal que forma uma mina de sal-gema, a 60 metros de profundidade. Com as chuvas, a água infiltra-se pelas fendas da rocha, penetrando o subsolo e criando cursos de água subterrânea e não superficiais. 

Pela jazida de sal-gema, passa uma destas correntes de água subterrânea e é esta água que alimenta o poço das salinas e que possui uma concentração de sal sete vezes superior a do mar. A jazida de sal ocupa aproximadamente a área da Estremadura indo desde Torres Vedras a Leiria.

Pensa-se que utilização deste sal-gema já ocorra desde a pré-história, no entanto o primeiro registo documentado é de 1177, quando Pêro D’Aragão e a sua esposa Sancha Soares venderam à Ordem dos Templários a parte que possuíam no poço e salina.

As casas de madeira que se observam quando se chega à zona das marinhas de sal eram antigos armazéns nos quais cada proprietário guardava o seu sal. Estas casas são de madeira para evitar a corrosão pelo sal e os suportes laterais das casas são troncos de oliveira. 

Hoje, muitas destes armazéns foram transformados em casa de comércio ou restauração, sendo a maior parte do sal guardado nestes armazéns.

As salinas de Rio Maior são as únicas salinas de interior ativas em Portugal e uma das poucas do mundo. Em uma pesquisa rápida no Google, não encontrei salinas de interior no Brasil.

Fonte: Cidadania Rio Maior

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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