“O Que Fica Quando Tudo Passa – Anotações de um pantopolista paulistano” ainda é um título provisório do meu novo livro de crônicas, o terceiro da minha história.
O primeiro, “Terras de Cabral – Crônicas de Lá e Cá”, publicado em 2013, nasceu de um desejo quase juvenil de organizar o mundo pela escrita: juntar memórias, deslocamentos, afetos e cidades numa tentativa de compreender quem eu era e onde estava. Já o segundo,
“Entre o nada e o infinito”, lançado em 2022, veio depois de muitos atravessamentos. Era um livro esquisito, marcado pela experiência do tempo, pelas perdas, pela pandemia e pela necessidade de escutar melhor a vida quando ela fala baixo.
Agora, este novo livro nasce de outro lugar. Talvez mais sereno, talvez mais cansado, mas certamente mais atento. São crônicas escritas no meio do caminho: entre o centro da cidade e o mato de Parelheiros, entre viagens, entre o teatro e a casa, entre o amor e o luto, entre o que passa rápido demais e aquilo que insiste em ficar.
Não se trata de grandes acontecimentos, mas de pequenas permanências. De cenas mínimas. De gestos que, à primeira vista, parecem banais, mas que carregam o peso delicado da existência.
Aqui, escrevo como quem anota para não esquecer. Como quem caminha e observa. Como quem aceita que viver não é chegar, mas permanecer. Mesmo quando tudo muda.
Talvez por isso o título ainda seja provisório. Porque é bom lembrar que alguma coisa sempre fica quando tudo passa.


