MEUS AMIGOS QUATIS

Eu ainda estava terminando de ajeitar a cozinha quando começo a ouvir, vindo de fora, uns barulhos estranhos.

Então meus dias, aqui em Parelheiros, têm sido cheios de surpresas. Primeiro, uma cobra aparece no jardim e eu não sei o que fazer com ela. Chamo um vizinho e sua primeira reação é querer matá-la. Olhem que esta cobra deu um trabalhão, até eu conseguir colocá-la em uma caixa e libertá-la a alguns quilômetros de casa.

Mas o surpreendente mesmo foi, em noites de apagão – sim, a periferia sofre com os apagões, creiam  –, (re) descobrir os vagalumes. Nossa, há quanto tempo eu não os via!

Na sucessão de deslumbramentos, minha maior alegria veio com a borboletas. Foi só eu colocar na varanda e no alpendre alguns vasos de flores, e ei-las! Coloridas, bailando como profissionais.

E teve também o Chico, o labrador que fora abandonado doente por aqui, às vésperas do ano novo. Mas esta história vocês já conhecem. Chico virou amor e, agora enquanto escrevo, tira uma soneca, aos meus pés.

Meu maior assombro, no entanto, aconteceu hoje. Havia umas costeletas na geladeira que, embora ainda estivessem em bom estado, resolvi jogá-las fora porque não passariam de hoje. Tenho o costume de deitar na mata meu lixo orgânico. Sempre penso que existe algum animal que pode ficar feliz com isso.

Eu ainda estava terminando de ajeitar a cozinha quando começo a ouvir, vindo de fora, uns barulhos estranhos. Saio pra espreitar e quase morro de adoração. Um bando de quatis estão fazendo a festa com as costeletas que eu havia atirado na mata.

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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