LUXOR: TERRA DE REIS, RAINHAS E… KALET

Avenida Corniche, à beira do rio Nilo, em Luxor

Luxor surgiu das ruínas de Tebas, que foi capital do Império Novo, no Egito Antigo. Ganhou fama pelas escavações dos arqueólogos europeus, no século 19, e, principalmente, pela descoberta da tumba deTutancâmon, no início do século 20. A cidade, de quase 400 mil habitantes, se concentra em volta do imponente Templo de Luxor, símbolo máximo de seu passado de glórias.

À margem do rio Nilo, e bem no centro da cidade, o Templo de Luxor é um dos maiores exemplos da exuberante arquitetura faraônica. Consagrado à tríade tebana Amon, Mut e Khonsu, foi construído e modificado por diversas dinastias, até por governantes posteriores, como Alexandre, o Grande.

Durante séculos, o Templo de Luxor ficou sob camadas de areia e só foi redescoberto no final do século 19,  quando já havia sobre ele uma vila que teve que ser transferida de lugar para que os trabalhos dos arqueólogos fossem realizados.

Visitar o Templo de Luxor é uma experiência única. Principalmente quando nos damos conta de que estamos diante de uma obra de mais de 3 mil anos.

Ainda na cidade, o poderoso complexo de Karnak, com o Templo de Amon, que também ficou soterrado por mais de mil anos, até começar a ser escavado, no século 19.

E é no complexo de Karnak que encontramos, ainda, várias construções deslumbrantes, como o Colosso de Ramsés II; o Grande Salão com Hipostilo, com suas magistrais colunas; o Templo do Grande Festival.

Mas talvez sejam o Vale dos Reis e o Vale das Rainhas os lugares mais incríveis que visitei. No Vale dos Reis, a necrópole dos faraós do Império Novo – mais ou menos 1500 a.C. –, estão as tumbas de Ramsés IV, Tutmés III e Tutancamon, entre tantas outras. No Vale das Rainhas, encontramos os túmulos das esposas e filhos reais, como o de Nefertari, uma das mais queridas e amadas rainhas do Egito Antigo.

À noite, uma visita pela avenida Corniche e a grande surpresa da viagem. Somos abordados por Kalet, um jovem, recém saído da adolescência, que se aproxima para nos oferecer sexo. O jovem, muçulmano, é direto:

– Preferem homens ou mulheres?

Estou surpreso. Num país muçulmano, onde a homossexualidade é considerada crime e punida com morte, como isso seria possível?

Kalet nos explica que fazem, sim,  sexo entre homens, embora sua sociedade considere um crime gravíssimo esta prática. Diante de nossa negativa ao seu convite, no entanto, o jovem ainda tenta nos persuadir com outros atrativos.

– E drogas, curtem? Haxixe, cocaína? Posso conseguir tudo isso para vocês.

Então eu penso que o mundo realmente é muito maior do que supomos. Eu jamais imaginaria encontrar entre o povo muçulmano tamanha liberalidade. Forçada, naturalmente. O que Kalet procura é dinheiro. Seu deus Alá jamais o perdoaria. Muito menos sua sociedade, fechadíssima em um regime militar há quase 30 anos.

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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