GOODBYE, ROOSEVELT

Esteticamente, perdemos o interesse pela Roosevelt, que já está pacificada (foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

Escrevi no Twitter e Facebook, na sexta:

A Praça Roosevelt ficou burguesa. Não interessa mais ao Satyros. Já estamos procurando novo endereço.

Isso causou alguma surpresa. Explico melhor agora.

É óbvio que esta saída não acontecerá amanhã. Mas já estamos vivendo o processo. Que não será muito longo, porém. A constatação é porque não somos ingênuos.

Duas coisas nos motivam.

Primeira: para ratificar nossa condição de fazedores de teatro político e de resistência, esteticamente perdemos o interesse pela Roosevelt, que já está pacificada. A Praça que, infindáveis vezes, foi tema de nossas investigações – esteve, inclusive, em vários títulos de nossos espetáculos, por exemplo – hoje em dia se resume a discussões tão vazias quanto desinteressantes. Só pra citar um exemplo, sou totalmente a favor dos skatistas. Falam pouquíssimo sobre isso, mas se teve alguma resistência de verdade ali, veio primeiro do povo do skate.

Segundo, não entraremos em guerra com o Capital. O teatro pode muito mais!

Nosso espírito inquieto nos leva a crer que podemos habitar outros endereços sombrios. A cidade precisa de luz.

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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3 comentários em “GOODBYE, ROOSEVELT

  1. Resistência mesmo é ficar e provar que o local é do teatro que vislumbra por direito. Sair é fugir, fugir da especulação mobiliária, fugir da construção estética do local… Em vez de baratas fugindo da exposição do sol, que sejam vampiros abrigados em seus teatros a se alimentar do sangue “burguês” para parir sua macunaíma.

    A guerra contra o capital é a mais audaciosa. Viva Zé Celso! Isso sim é resistência.

    Fica ali a melancolia dos saraus de José Serra. Sua fuga só prova a distância entre as ações e práticas, antes tivesse se preparado para o que haveria de vir inevitavelmente…

  2. Já inscrito na história paulistana como um dos espaços teatrais mais importantes que a cidade já teve, os Satyros deram fama estelar e transformou em “tendência” a degradada região da Praça Roosevelt. Fez travestis, prostitutas, cafetões e traficantes dividirem espaço com a galera das artes cênicas, com o povo da noite, os boêmios descolados e amantes da cultura alternativa em geral. Fez nascer a fama da Roosevelt, provocou abertura de outros teatros, outros bares, botou a região no mapa das artes de São Paulo.

    Isso tudo fez, hoje, o metro quadrado da região ser um dos mais caros da cidade. Subiu tanto que não deu para brigar mais com preços de aluguel.

    Em suma, “Os Satyros” matou ele mesmo.

    Nos resta a confiança de sua ressurreição em outro local, mas com o mesmo destino.

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