NA MÍDIA: DE VOLTA À PRAÇA

Em nova edição, Satyrianas torna concentrar eventos na Praça Roosevelt

As Satyrianas estão fazendo o caminho de volta para casa. Mesmo com a Praça Roosevelt em reforma, o tradicional festival de artes cênicas retorna ao seu endereço de origem. “A ideia é retomar o conceito das Satyrianas”, diz Rodolfo García Vazquez, diretor do grupo Os Satyros e um dos organizadores da festa, que começa amanhã e se estende até segunda. “No ano passado, tudo estava muito disperso e as pessoas acabavam não se encontrando.”

Na edição anterior, o evento ficou divido entre os teatros da Roosevelt e uma tenda montada na Rua Augusta. Agora, a tenda foi abolida e, as atividades, reunidas todas ao redor da praça. Nesse contexto, a reconstrução do espaço encontra eco na Satyrianas 2011. “Estamos olhando um pouco mais para dentro da praça. E, quando nos voltamos para o nosso umbigo, é possível descobrir novas possibilidades”, observa Rodolfo.

Entre as novidades previstas para este ano está o evento Autopeças, uma série de espetáculos concebidos especialmente para serem encenados dentro de carros. Parados ou em movimento, 18 veículos servirão de palco para breves cenas de autores convidados. Trechos da montagem Autobahn – texto de Neil Labute que tematiza a quantidade de tempo que perdemos em deslocamentos automobilísticos – também serão encenados.

Outra atividade a ser testada este ano são os passeios ciclísticos dramáticos. Com suas próprias bicicletas, o público segue um grupo de atores até alguns pontos do centro como a Praça da República e o Teatro Municipal. Lá, poderão acompanhar breves esquetes. “Estamos colocando em prática a ideia de um teatro expandido, que não acontece apenas na sala convencional, mas que usa outros meios para se manifestar”, aponta Rodolfo. “Vamos buscar novas formas e pesquisas.”

As mudanças, ressalta o organizador, são uma maneira de preservar o espírito festivo do evento, “seu caráter de diversão, provocação”, resume. Tenta-se evitar o engessamento das Satyrianas. “Não no sinteressa adquirir o formato de um festival tradicional. E, quando você programa uma peça depois da outra, é grande o risco de que isso aconteça.”

As experimentações, contudo, não tiraram espaço da faceta mais tradicional e esperada da festa: o DramaMix. Sediada no Espaço Satyros 2, essa fatia da programação teve sua estrutura preservada. Deve apresentar, durante quatro noites, montagens de textos inéditos de 30 autores. Como de costume, o evento é a oportunidade de ver em primeira mão obras que, mais tarde, acabam merecendo desdobramentos e dando origem a espetáculos.

Alguns dramaturgos habitués da praça irão mostrar seus trabalhos inéditos. É o caso de Sergio Roveri, que escreveu Esperando Sentada, texto que merece direção de Elias Andreato e será encenado amanhã, às 22h. No sábado, é possível conferir a montagem da peça de Marcelino Freire Amar É Crime (21h). Na sequência, surgem Casa do Brasil (22h), obra de Veronica Stigger, dirigida por Henrique Stroeter, e Taeter (23h), nova criação do ator e diretor Luiz Päetow. Domingo é odia de ver as criações de dramaturgos consagrados do cenário paulistano, como Marta Góes, Marici Salomão, Roberto Alvim e Marilia Toledo. Encerram a festa as novas crias de Celia Regina Forte, O Que Seria se Fosse (20h), e de Hugo Possolo, Eu Cão Eu (22h).

SATYRIANAS 2011

A partir das 18 h  de sexta-feira até 23 h de segunda-feira – programação completa no site http://satyrianas.chinart.com.br

MELHOR DO DRAMAMIX

11/11

Espasmo – O texto de Gabriela Mellão é encenado por Marcos Damaceno, às 20h.

Esperando Sentada – Peça de Sergio Roveri, com direção de Elias Andreato, às 22h.

12/11

Gari – Obra de Claudia Shapira tem encenação de Ruy Filho, às 18h.

Casa do Brasil – Texto de Veronica Stigger montado por Henrique Stroeter, às 22h.

Taeter – Nova criação do ator e diretor Luiz Päetow, às 23h.

13/11

Nas Cidades, as Florestas – Peça do diretor e dramaturgo Roberto Alvim, à 1h.

A Casa – Obra do diretor curitibano Marcos Damaceno, às 20h.

A História Deles – Robson Catalunha dirige a obra de Marta Goés, às 22h.

Meu Filho – Comédia escrita e dirigida por Luciano Mazza, às 23h.

 14/11

O Que Seria se Fosse  – Texto de Celia Forte encenado por Clarisse Abujamra, às 20h.

Eu Cão Eu  – Obra de Hugo Possolo, direção de Rodolfo G. Vazquez, às 22h.

Fonte: Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo, 10 de novembro de 2011

 

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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