Cia Os Satyros estreia texto do autor norueguês Jon Fosse

Cena de "Adormecidos" (foto: Andre Stefano)

Espetáculo ‘Adormecidos’ tem direção de Rodolfo García Vázquez

Aos 54 anos, o norueguês Jon Fosse já está na lista dos autores preferidos pelos encenadores de todo o mundo. Com peças apresentadas em mais de 40 países, o poeta, dramaturgo, autor de livros infantis, ensaios, contos e romances é considerado um dos grandes nomes do teatro na atualidade. A Cia Os Satyros, buscando uma nova proposta de interpretação, traz aos palcos o espetáculo “Adormecidos”, no Espaço Satyros Um.Saiba dias e horários do espetáculo– É uma forma de dramaturgia muito nova. Há algo de metafísico na obra de Jon Fosse. A gente achou que era importante trabalhar com ele para não ficarmos viciados no mesmo tipo de linguagem ou de abordagem – detalha o diretor Rodolfo García Vázquez.

A peça aborda a temática dos relacionamentos e a maneira como cada indivíduo projeta as suas próprias aflições e anseios em seu parceiro.

– A questão do relacionamento é importante no texto dele, mas, para além disso, ele trata da nossa relação com a passagem do tempo. Porque ele, a princípio, pega dois casais em situações diferentes. Um casal que quer ter filho e que tem uma vida feliz, vivendo juntos de forma harmônica. E outro casal em que um dos parceiros quer ter filho e o outro não; eles se separam e se traem. Nós vemos isso através do tempo, é uma visão bastante concreta no homem. O tempo vai chegar, a morte também e nós não vamos ser nada além de lembranças – analisa Vázquez.

O tempo vai chegar, a morte também e nós não vamos ser nada além de lembranças

Rodolfo García Vázquez

Veja o espetáculo ‘Édipo na Praça’ encenado na sede do grupo e na Praça Roosevelt  

Na trama, dois casais se revezam no palco, em um ambiente criativo composto por luzes, espelhos e transparências, feito pela cenógrafa Luiza Gottschalk. O diretor Rodolfo García Vázquez explica que a direção também foi feita de modo a facilitar a interpretação.

– Cada uma das personagens representa um tipo humano e a ideia era que cada um desses tipos tivesse uma função muito clara. Os espelhos, os reflexos, as transparências, tudo isso é muito marcado. Para a gente é quase uma encenação matemática, mas para o espectador a encenação é de uma profunda ligação emocional com o trabalho e isso faz com que ele seja forte e, ao mesmo tempo, diferente das outras montagens anteriores.

Fonte: Globo Teatro, 25 de outubro de 2013

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
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