A partir deste semestre, a escola passa a oferecer graduação pública e gratuita, com dois processos seletivos durante o ano
São Paulo passa a contar com uma nova instituição pública de ensino superior voltada exclusivamente às artes cênicas. A SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, que completou 15 anos de atividades, foi credenciada pelo Ministério da Educação (MEC) e passa a operar como faculdade. Com a mudança, adota o nome SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco.
Localizada no centro da capital, em um endereço tradicional da produção cultural paulistana, a instituição mantém o modelo pedagógico baseado na formação prática e disciplinas integradas, característica que se tornou um diferencial de sua atuação ao longo da última década e meia. Ao todo, a instituição oferece oito linhas de formação: Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Dramaturgia, Humor, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco.
A partir deste semestre, a escola passa a oferecer graduação pública e gratuita. As inscrições ocorrem em dois períodos do ano — entre março e abril, e entre agosto e setembro. O processo seletivo será dividido em duas etapas eliminatórias: prova de redação com entrevista e, na sequência, atividades presenciais específicas de cada área. No primeiro semestre, serão disponibilizadas 100 vagas, sendo 20% reservadas a pessoas negras, indígenas e pessoas com deficiência. A instituição também mantém 20 cursos livres de Extensão Cultural, que somam cerca de 400 estudantes. As aulas acontecem no período matutino ou vespertino.
Em nota, a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, Marília Marton, afirmou que o credenciamento integra uma estratégia de ampliação do acesso ao ensino superior. “A criação da SP Escola Superior de Teatro é uma decisão estratégica do Governo de São Paulo para ampliar o acesso ao ensino superior público e reconhecer as artes do palco como um campo estruturante de formação, trabalho e desenvolvimento. Ao transformar uma escola de referência em faculdade, o Estado consolida uma política permanente, que fortalece a qualificação profissional, valoriza trajetórias artísticas e amplia oportunidades para novas gerações”, declarou.
O que isso representa para a cidade
A mudança ocorre em um momento de instabilidade para o setor cultural. Nos últimos anos, a cidade registrou o fechamento ou a paralisação de espaços teatrais tradicionais, como o Teatro Aliança Francesa, na Vila Buarque, o Teatro Bravos e o Procópio Ferreira, além do anúncio de despejo do Teatro de Contêiner Mungunzá. Paralelamente, instituições de formação enfrentaram dificuldades estruturais e orçamentárias, caso da Escola de Arte Dramática (EAD), da USP, que passou por restrições de docentes e redução de disciplinas.
O cenário contrasta com a posição de São Paulo como principal polo de produção teatral do país, concentrando editais, mostras e uma ampla rede de companhias e profissionais técnicos e criativos. Nesse contexto, a transformação da SP Escola de Teatro em faculdade amplia a oferta de formação superior gratuita e fortalece a profissionalização do campo.
Em uma cidade marcada pela intensidade de sua produção cultural, o credenciamento pode representar um reconhecimento maior artes do palco como área acadêmica e profissional, ampliando as perspectivas de formação continuada e inserção no mercado para estudantes e trabalhadores do setor. A expectativa é que a medida funcione como um reforço concreto à estrutura de qualificação e desenvolvimento artístico.
Fonte: Bravo!
