A vida trabalha em silêncio quando resolve fazer direito

Tenho uma notícia incrível. Dessas que coçam a língua, dilatam a pupila e fazem o corpo querer levantar da cadeira para anunciar ao mundo como quem grita bingo no meio de um velório, hahahaha.

Talvez a melhor deste ano que mal começou e já resolveu me provocar. O curioso é que, lá no começo de tudo, ela não nasceu de um plano, nem de um mapa traçado com régua e ambição.

Vinte anos atrás, se alguém me dissesse que isso era possível, eu teria rido com educação e mudado de assunto. A vida, aliás, adora esse humor meio irônico: realiza justamente aquilo que a gente não ousou desejar com clareza. Eu disse com clareza, bom pontuar.

Essa notícia veio como vêm as coisas sérias. Sem alarde, sem fogos, sem notificação no celular. Precisou de terra boa, de espera, de errar a mão na rega, de quase desistir do canteiro.

Foi um processo lento, quase artesanal, desses que não rendem stories, mas sustentam o chão.

Houve dias de seca, outros de excesso de água, e alguns em que parecia que nada, absolutamente nada, estava acontecendo. Mas estava. Sempre está. A vida trabalha em silêncio quando resolve fazer direito.

Confesso: estou louco para abrir o bocão. Para contar, dividir, espalhar essa alegria meio torta, meio incrédula, meio grata. Mas há segredos que pedem estratégia, não por medo, mas por respeito ao tempo.

Então fica combinado assim: segunda-feira eu conto tudo. Ate lá, respiremos fundo, mantemos o foco e seguimos em direção ao futuro, esse lugar estranho onde as coisas finalmente nos alcançam. É isso que importa agora. O resto… bem, o resto já está a caminho e vem na segunda.

Ator, roteirista e cineasta. Co-fundador da Cia. Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro.
Post criado 2016

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