A vida tem dessas manias delicadas. Repete cenas como quem insiste numa frase para ver se, desta vez, a gente escuta melhor. Estamos em Parelheiros. Um fim de semana qualquer, desses em que o tempo parece andar descalço. De repente, do nada – porque as coisas mais importantes quase sempre chegam assim – surge um […]
Chegamos ao futuro!
Hoje retomamos os trabalhos aqui, na SP Escola de Teatro. A gente volta com a sensação de que algo já estava em movimento, como se o tempo tivesse seguido, trabalhando mesmo durante a pausa. Vivemos um de nossos melhores momentos. Há no ar uma vibração de descoberta, um aprendizado que não se acomoda, um crescimento que […]
Quase Todos
Apesar de “Quase Todos” ter nascido de um plano, o mapa e a arquitetura prévia eram elásticos, quase provisórios. Não havia rédeas firmes, nem a ilusão de controle absoluto. O texto foi surgindo de dentro, como quem vem à tona para respirar, obedecendo mais ao fôlego do que à razão. Histórias que não pediram licença. […]
NOVO TEMPO | Aquilo que fica quando quase tudo vai
Eu e Rodolfo nos refugiamos na nossa casinha no meio do mato, em Parelheiros, para atravessar o Ano Novo e escrever um novo texto. Um espetáculo que estreia em março, mas que vinha sendo gestado muito antes. Há meses vínhamos ensaiando, pesquisando, conversando sem saber exatamente onde aquelas conversas iam dar. Assistimos a muitos filmes, […]
REFLEXÃO | O que ficou quando o ano passou
Já fiz a minha retrospectiva, desenhando com cuidado e detalhes o ano que passou. Nomeei acontecimentos, registrei datas, enumerei encontros, projetos, deslocamentos. Mas agora, com um pouco mais de silêncio, me ocorreu pensar no que, de fato, foi realmente relevante. Não o que aconteceu, mas o que permaneceu. Não o que brilhou, mas o que […]
LUTO | Adeus, Mauricio
Comecei a fazer teatro em 1985, aos 21 anos, quando decidi trocar o último ano do curso de Administração de Empresas por um salto no escuro: o curso superior de teatro do Teatro Guaíra e PUC/PR. Não foi uma decisão racional. Foi uma espécie de chamado. Minha primeira peça nasceu desse gesto meio inconsequente e […]
E POR FALAR EM SAUDADE | Todos os Sonhos que Ficam
A última vez que vi Contardo Calligaris foi no teatro. Não por acaso no teatro, mas porque ali eu acho que o tempo costuma se comportar de outro jeito. Foi numa apresentação do meu solo Todos os Sonhos do Mundo, no Espaço dos Satyros, nos últimos dias de 2020. Contardo chegou acompanhado de Maria Homem, […]
UMA PEQUENA CRÔNICA PARA TERMINAR O ANO | Antes que o Carnaval Anuncie a Alegria
𝐔𝐌𝐀 𝐏𝐄𝐐𝐔𝐄𝐍𝐀 𝐂𝐑𝐎̂𝐍𝐈𝐂𝐀 𝐏𝐀𝐑𝐀 𝐓𝐄𝐑𝐌𝐈𝐍𝐀𝐑 𝐎 𝐀𝐍𝐎 | 𝐀𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐂𝐚𝐫𝐧𝐚𝐯𝐚𝐥 𝐀𝐧𝐮𝐧𝐜𝐢𝐞 𝐚 𝐀𝐥𝐞𝐠𝐫𝐢𝐚 Foi um ano de tempestades. Não apenas daquelas que dobram árvores, arrancam telhados e fazem a cidade parar por alguns minutos diante do espanto. Foi um ano de vendavais íntimos, desses que não aparecem no noticiário, mas deixam marcas mais […]
OPINIÃO | “A Máquina”: Quando o tempo vira memória
Rever A Máquina, de João Falcão, vinte e cinco anos depois é um gesto de memória. E, inevitavelmente, de análise. Porque algumas peças não envelhecem. Elas nos envelhecem, nos colocam de frente para o tempo que, inevitavelmente, passou por cima de nós. Vi A Máquina no Festival de Curitiba, 25 anos atrás. Tenho uma memória nítida daquele assombro. Havia uma brisa de ar fresco, leve e quase insolente soprando na cena brasileira. Uma peça que discutia amor, tempo, […]
CRÔNICA | Uma pedagogia do Amparo
As melhores pessoas que conheço nesta vida são mulheres. Não como elogio moral, mas como constatação política. Aprendi cedo que quem sustenta a vida raramente ocupa o lugar do poder formal. E quase nunca recebe crédito por isso. Na minha casa, as mulheres eram minoria numérica – duas irmãs diante de três irmãos –, mas […]
