A primeira vez que vimos uma transição de gênero acontecer não foi na vida. Foi num palco. E, talvez por isso mesmo, nunca mais conseguimos separar uma coisa da outra. Era o início dos anos 1990. A gente ainda ensaiava o próprio lugar no teatro, como quem testa o chão antes de pisar com firmeza. […]
Os Satyros, hoje: 37 anos
37 coisas que você precisa saber sobre o grupo A Cia. de Teatro Os Satyros foi fundada em São Paulo, em 1º de abril de 1989, por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez. Com o espetáculo Saló, Salomé (1992), o grupo foi convidado a participar de festivais em Portugal e na Espanha – movimento que […]
Maria Shu – Quando o extraordinário ainda não tem nome
Uma fila, um dia, deu início a um gesto grandioso. Uma fila longa, inquieta, cheia de nomes ainda desconhecidos. Mas, no entanto, já carregados de destino. Quando inauguramos a SP Escola de Teatro, em 2009, não sabíamos exatamente o que viria ao nosso encontro. Havia, sim, anos de pensamento, de reuniões, de desejo coletivo. Mas […]
O futuro, às vezes, pede trabalho
Eu gosto das histórias que não começam como promessa. Confio mais naquelas que nascem da necessidade. Uma parede por reparar, um orçamento curto, um dia qualquer. Até que alguém atravessa esse cotidiano sem anúncio. Chega sem fazer alarde. E, quando percebemos, já ficou. Ele está ao meu lado. Emerson. Mas, quando chegou, era apenas o […]
Cuba: O sol que insiste, mesmo quando não aparece
Cuba, pra mim, não cabe em uma opinião. Eu poderia começar dizendo que não tenho posição sobre o regime de governo cubano. E, de fato, não tenho uma posição fechada. O que tenho são camadas. Reconheço, sim, conquistas que impressionam, sobretudo na saúde, na formação médica, na capacidade de um país pequeno produzir um sistema […]
Nunca foi ruptura, sempre foi caminho
Leio agora o que Gabi Loran disse sobre a novela “As Três Graças” ter rompido a barreira de gênero. E, enquanto leio, não há em mim qualquer impulso de disputa. Há, antes, reconhecimento. Um certo alívio. Como se algo que, durante tanto tempo, precisou ser dito em voz baixa, agora pudesse, enfim, circular em voz […]
Emília, a menina que fez florescer o invisível
Ela se chama Emília. Tem vinte e um anos – essa idade em que tudo ainda está por acontecer, mas, curiosamente, algumas coisas já parecem vir prontas, como se tivessem atravessado gerações para pousar, intactas, nas mãos de alguém. Chegou ao Satyros pelas mãos do Mateus Araújo, desses amigos que a gente chama de “mais […]
Adeus, Juca
A morte de um homem nunca é apenas a interrupção de uma vida. É o fim de uma presença que sustentava um mundo. Com ela, desaparecem não só os gestos e as palavras, mas também aquilo que ainda não havia encontrado forma. As conversas por vir, os encontros adiados, os sentidos que só existiriam ali. […]
Quase todos os tempos
O tempo tem me atravessado de um jeito insistente. E eu ainda não sei exatamente o que fazer com isso. Não é uma tentativa de dominá-lo. Isso seria ingênuo. Mas de estabelecer com ele uma espécie de convivência possível. Quase um acordo silencioso. Porque o tempo, aprendi, não se deixa capturar. Ele atravessa. Talvez por […]
Aquilo que nos chama de volta
O elevador descia como descem os dias – silencioso, obediente a um mecanismo que não se vê – quando um vizinho entrou falando ao celular. Me cumprimentou com um leve aceno de cabeça, desses que não interrompem o fluxo da vida. E então, no curto intervalo entre um andar e outro, ouvi a frase que […]
