TRANSFORMAÇÃO | O próximo passo da SP Escola de Teatro • Uma entrevista com Ivam Cabral – Por Ferdinando Martins

A transformação da SP Escola de Teatro em faculdade credenciada pelo MEC marca um momento histórico para as artes do palco no Brasil, ao reconhecer formalmente como ensino superior um projeto pedagógico que há dezesseis anos articula criação, pensamento crítico e prática coletiva. À frente desse processo, Ivam Cabral — fundador de Os Satyros e figura central na revitalização cultural da Praça Roosevelt — destaca, na entrevista, que a principal mudança é o reconhecimento federal do diploma, ampliando trajetórias acadêmicas e profissionais, sem abrir mão do modelo transversal inspirado em Paulo Freire, Milton Santos e Fritjof Capra; entre os pontos centrais estão ainda a democratização do acesso por meio da gratuidade e reserva de vagas, os desafios do credenciamento, a atenção aos egressos e a defesa de que formação crítica e inserção no mercado não se opõem, mas se fortalecem mutuamente.

A transformação da SP Escola de Teatro em faculdade credenciada pelo MEC é um marco histórico. O que muda, na prática, para os estudantes e para o campo das artes do palco em São Paulo?

É um processo que teve início há quase vinte anos, quando pensamos em criar uma escola pública de artes do palco que fosse radicalmente democrática, acessível e estruturada sobre outra lógica pedagógica. Na prática, para os estudantes, muda algo muito concreto: a certificação passa a ter reconhecimento federal como ensino superior. Isso significa ampliação de possibilidades acadêmicas, continuidade de estudos, inserção em programas de pós-graduação e maior mobilidade institucional. Mas, talvez mais importante do que o diploma em si, é o reconhecimento formal de um modelo que já vinha sendo aplicado com rigor, profundidade e inovação desde 2010.

Para o campo das artes do palco em São Paulo, a mudança é estrutural. Durante anos fomos uma escola livre; depois, curso técnico; agora, instituição de ensino superior. Esse percurso não é apenas administrativo. Ele consolida uma ideia de formação que integra criação, pensamento crítico e prática coletiva. O teatro deixa de ser visto apenas como ofício ou vocação e se afirma também como campo de pesquisa, de produção de conhecimento e de formulação de pensamento contemporâneo.

Continuamos com nossa essência, que continua colaborativa, transversal e profundamente comprometida com a diversidade de classe, gênero e sexualidade. Mas penso que o que muda, também, é o reconhecimento institucional de que as artes do palco produzem saber com a mesma complexidade e responsabilidade de qualquer outra área do conhecimento.

Em um estado com mais de 600 municípios e enorme potência cultural, fortalecer uma faculdade pública dedicada às artes do palco significa fortalecer também a cadeia produtiva da cultura, a pesquisa artística e a possibilidade de que mais jovens encontrem no teatro não apenas um sonho, mas uma formação sólida e estruturada.

Esse credenciamento não é um ponto de chegada. É uma etapa. Ele confirma que o caminho que escolhemos lá atrás – inspirado em Paulo Freire (pedagogiaa da autonomia), Milton Santos (território como potência) e Fritjof Capra (modelo sistêmico) – era um caminho consistente. Agora, seguimos com ainda mais responsabilidade. Porque, no fundo, o que muda é isto: o que já era sério passa a ser reconhecido como tal.

 

O que essa conquista representa na sua trajetória pessoal e artística?

Eu costumo dizer que algumas conquistas não acontecem no momento em que são anunciadas – elas começam muito antes, quase invisíveis, quando ainda são apenas uma intuição.

Para mim, essa transformação da SP Escola de Teatro é profundamente comovente. Não porque seja um título, mas porque confirma um percurso. Eu venho do teatro de grupo, da precariedade criativa dos anos 1980 e 1990, da Praça Roosevelt quando ainda era território de risco e invenção. Venho de um tempo em que fazer teatro era, antes de tudo, um ato de resistência.

Ter participado da criação da Escola já foi um gesto histórico. Mas vê-la agora reconhecida como instituição de ensino superior é perceber que aquela intuição – de que o teatro produz conhecimento, e não apenas espetáculo – estava correta.

Na minha trajetória pessoal, isso dialoga com tudo o que construí: a companhia, a escrita, a direção, a clínica psicanalítica, a pesquisa acadêmica. Sempre me interessou pensar o teatro como linguagem de mundo, como ferramenta de reorganização da experiência humana. A Escola nasce desse pensamento. E agora ele ganha um reconhecimento institucional que amplia seu alcance.

Há também algo íntimo nisso. Dezesseis anos depois da primeira turma, ver esse credenciamento acontecer é como assistir a um filho atingir a maioridade. A gente sabe o quanto foi difícil, o quanto houve luta, negociação, dúvidas. Não foi um percurso linear. E talvez por isso seja tão bonito.

Mas não leio essa conquista como coroação pessoal. Leio como responsabilidade ampliada. Se antes éramos um projeto ousado, agora somos também uma referência formal. Isso exige ainda mais rigor, mais escuta e mais compromisso com a democracia do acesso.

No fundo, essa conquista representa uma coerência. A confirmação de que é possível construir instituições públicas que sejam, ao mesmo tempo, artísticas, críticas e estruturadas. E isso, para quem acredita no teatro como campo de transformação, é profundamente simbólico.

 

Foram anos de planejamento até o credenciamento como ensino superior. Qual foi o momento mais decisivo – ou mais difícil – nesse percurso?

Talvez o momento mais difícil não tenha sido um único episódio, mas a travessia inteira. Transformar uma escola livre – nascida da urgência artística e do desejo de democratizar o acesso – em uma instituição de ensino superior exige traduzir uma pedagogia viva para a linguagem normativa do Estado. E essa tradução nunca é simples.

Houve momentos muito decisivos. Um deles foi quando entendemos que não bastava ter uma prática pedagógica potente; era preciso sistematizá-la, documentá-la, provar que aquilo que já funcionava na experiência também podia dialogar com as exigências legais e acadêmicas. Foi um exercício de maturidade institucional.

Outro ponto delicado foi preservar nossa identidade. Sempre tivemos uma formação colaborativa, transversal, estruturada em processos e não em hierarquias rígidas. O desafio era: como entrar no sistema sem se tornar refém dele? Como conquistar o reconhecimento formal sem abrir mão daquilo que nos constitui?

Houve também a dimensão política. Somos um programa do Governo do Estado de São Paulo, mantido pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Atravessamos mudanças de gestão, diferentes contextos econômicos e crises nacionais. Manter o projeto vivo, estável e com horizonte estratégico ao longo de tantos anos exigiu diálogo constante, articulação e persistência.

Se eu tivesse que nomear um momento decisivo, diria que foi quando compreendemos que o credenciamento não era apenas uma ambição institucional, mas uma responsabilidade histórica. A Escola já formava centenas de artistas. O reconhecimento como ensino superior ampliaria o impacto dessas trajetórias. Ali o projeto deixou de ser apenas um desejo e se tornou uma necessidade.

O mais difícil, no fundo, foi sustentar o tempo. Dezesseis anos é um ciclo longo. Instituições não se constroem na velocidade das redes sociais; constroem-se na insistência. E talvez esse tenha sido o aprendizado maior: permanecer fiel ao projeto, mesmo quando ele parecia grande demais ou distante demais.

Hoje, olhando para trás, vejo que cada obstáculo foi também uma forma de fortalecimento. Porque nos obrigou a pensar com rigor quem somos – e por que existimos.

 

A Escola preserva seu sistema pedagógico e suas oito linhas de estudo. Por que era essencial manter esse modelo ao se tornar faculdade?

Porque o nosso sistema pedagógico não é um detalhe administrativo – ele é o coração da Escola.

Desde 2010, estruturamos a formação a partir de oito linhas de estudo – atuação, direção, dramaturgia, cenário e figurino, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco – que não funcionam como departamentos isolados, mas como campos que se atravessam permanentemente. O teatro, para nós, é sempre coletivo. Ele nasce do encontro entre linguagens.

Ao nos tornarmos faculdade, havia uma pergunta delicada: deveríamos nos adaptar a um modelo mais tradicional, disciplinar, fragmentado? A resposta foi clara. Não faria sentido conquistar o reconhecimento formal ao custo de perder aquilo que nos diferencia.

Nosso sistema é organizado em módulos semestrais, com estúdios que articulam processo, experimento e avaliação multifocal. Trabalhamos com eixos conceituais, operadores, artistas-pedagogos, disparadores criativos. Essa estrutura foi pensada para que o estudante não apenas aprenda uma técnica, mas compreenda o teatro como sistema vivo – estético, político e social.

Manter esse modelo era essencial porque ele materializa uma visão de mundo. A gente se inspirou em Paulo Freire na dimensão dialógica; em Milton Santos, na compreensão do território; e em uma lógica sistêmica que entende que as partes só fazem sentido na relação com o todo.

Ao nos tornarmos faculdade, não começamos do zero. Pelo contrário: o credenciamento reconhece uma pedagogia que já estava consolidada, testada, amadurecida ao longo de mais de uma década. O que fizemos foi estruturar formalmente aquilo que já era sólido na prática.

Preservar o modelo foi um gesto de coerência. Não se trata apenas de formar profissionais das artes do palco, mas de formar artistas capazes de pensar criticamente o mundo em que vivem. E isso exige um sistema que valorize colaboração, transversalidade e diversidade.

A faculdade nasce, portanto, não como ruptura, mas como continuidade. A estrutura acadêmica passa a abrigar uma pedagogia que já tinha identidade própria. E talvez seja justamente isso que torna essa transformação tão singular.

 

Você tem uma trajetória profundamente ligada ao teatro de grupo e à formação artística. Como essa experiência influencia sua visão sobre o que deve ser uma faculdade de artes do palco?

Minha formação não nasceu na universidade – nasceu no teatro de grupo. Nasceu na convivência diária, no risco compartilhado, na construção coletiva de linguagem, na precariedade que obriga a inventar. Fundar um grupo como Os Satyros, no final dos anos 1980, foi aprender que o teatro não é apenas uma técnica, mas uma forma de estar no mundo.

Essa experiência molda completamente a minha visão sobre o que deve ser uma faculdade de artes do palco.

Uma faculdade não pode ser apenas um lugar de transmissão de conteúdos. Ela precisa ser um espaço de convivência criativa, de experimentação real, de conflito produtivo. Teatro se aprende fazendo – mas também pensando sobre o que se faz. A universidade entra como campo de reflexão crítica sobre a prática, não como substituição dela.

O teatro de grupo me ensinou algo fundamental: ninguém cria sozinho. Por isso acredito em uma formação transversal, colaborativa, em que atuação dialoga com iluminação, dramaturgia com sonoplastia, técnicas de palco com direção. Essa estrutura não é apenas pedagógica – é ética.

Também aprendi que o teatro é território. Trabalhamos na Praça Roosevelt quando ela ainda era vista como ruína. Ali entendemos que arte pode reorganizar espaço urbano, produzir pertencimento, gerar economia criativa. Uma faculdade de artes do palco precisa ter consciência desse papel público.

E talvez o mais importante: o teatro de grupo me ensinou a resistência do tempo. Espetáculos não se constroem em velocidade industrial. Instituições também não. Uma faculdade precisa sustentar processos, permitir maturação, incentivar pesquisa contínua.

Portanto, minha visão é simples e ao mesmo tempo complexa: uma faculdade de artes do palco deve formar artistas que saibam criar, pensar, dialogar e intervir no mundo. Não apenas profissionais habilidosos, mas sujeitos críticos, capazes de compreender a dimensão estética, política e humana do seu trabalho.

No fundo, levo para a instituição aquilo que o teatro de grupo sempre me ensinou: o coletivo é mais inteligente do que qualquer individualidade isolada. E é dessa inteligência compartilhada que nasce uma formação verdadeiramente transformadora.

 

O curso será público, gratuito e com política de reserva de vagas. Que papel a SP Escola Superior de Teatro pode desempenhar na democratização do acesso à formação artística no Brasil?

Esse talvez seja o ponto mais estruturante de todos.

A SP Escola Superior de Teatro nasce como programa público do Governo do Estado de São Paulo e permanece pública e gratuita ao se tornar faculdade. Isso não é um detalhe administrativo – é uma posição política. Em um país profundamente desigual como o Brasil, democratizar o acesso à formação artística significa intervir na própria lógica de quem pode ou não pode produzir cultura.

Historicamente, o ensino superior em artes foi, muitas vezes, restrito a determinados perfis sociais. Quando criamos a Escola, em 2010, já partíamos de um princípio: não falaríamos apenas de “inclusão”, mas de acessibilidade. Inclusão supõe que alguém está fora e será trazido para dentro. Acessibilidade pressupõe que o sistema se organiza para que diferentes sujeitos possam escolher estar ali.

Além disso, o nosso modelo de seleção – que combina entrevistas, práticas e múltiplos olhares avaliativos – foi pensado justamente para não privilegiar apenas quem já teve acesso prévio à formação. Buscamos potencial artístico, capacidade de diálogo, desejo de processo.

Não estamos apenas formando artistas; estamos formando pesquisadores, técnicos, criadores que poderão circular nacional e internacionalmente com um diploma reconhecido. Isso altera trajetórias de vida.

Em um estado com mais de 600 municípios, fortalecer uma faculdade pública de artes do palco é fortalecer também a cadeia produtiva da cultura, os coletivos independentes, os territórios periféricos, os grupos emergentes. É criar condições para que o teatro não seja privilégio de poucos, mas campo possível para muitos.

Se a arte é uma forma de imaginar o mundo, democratizar o acesso à formação artística é democratizar também o direito à imaginação. E talvez essa seja a nossa maior responsabilidade histórica.

 

Como será para os egressos da SP Escola de Teatro? Como será possível o ingresso deles na graduação?

Essa é uma pergunta muito importante – e também muito delicada.

A SP Escola de Teatro formou, ao longo de dezesseis anos, centenas de artistas que hoje atuam no Brasil e no exterior. Ao nos tornarmos ensino superior, é natural que surja a expectativa: como ficam esses egressos? Eles poderão obter a certificação superior?

Estamos trabalhando para construir mecanismos que reconheçam a trajetória formativa já realizada. Mas é preciso dizer com transparência: qualquer processo de certificação retroativa depende das normas e regulamentações do Ministério da Educação. Não se trata de uma decisão unilateral da instituição, mas de um enquadramento legal que precisa ser respeitado.

O que podemos afirmar é que há um compromisso claro de buscar caminhos possíveis – seja por meio de processos de aproveitamento de estudos, ingresso facilitado, complementação curricular ou outras estratégias acadêmicas que estejam dentro da legislação vigente.

Para os egressos que desejarem ingressar na graduação, haverá processos seletivos estruturados, e estamos estudando formas de considerar a experiência já vivida na própria Escola como parte desse percurso. A ideia não é apagar a história anterior, mas reconhecê-la como fundamento.

É importante lembrar que a formação que oferecemos sempre teve rigor, profundidade e densidade pedagógica. O credenciamento como ensino superior reconhece algo que já existia na prática. Agora, precisamos ajustar a estrutura formal para que ela dialogue com as exigências legais.

Esse é um momento de transição. Haverá dúvidas, e estamos abertos ao diálogo permanente com nossos ex-estudantes. O que nos move é o mesmo princípio que nos trouxe até aqui: responsabilidade institucional e compromisso com quem construiu essa história conosco.

A Escola se transforma, mas não esquece sua origem – nem aqueles que ajudaram a consolidá-la. Mas, a partir de agora, entra em cena o Ministério da Educação, órgão que regulamenta esses processos, e seguiremos rigorosamente a legislação brasileira.

Os dados apontam altos índices de empregabilidade dos egressos. Como equilibrar formação crítica, experimentação artística e inserção no mercado de trabalho?

Eu nunca vi essas dimensões como opostas.

Existe uma ideia, às vezes difundida, de que formação crítica e experimentação artística estariam em conflito com o mercado de trabalho. Como se pensar demais atrapalhasse a empregabilidade. A nossa experiência mostra exatamente o contrário.

Os altos índices de inserção profissional dos nossos egressos decorrem justamente do fato de que eles não são formados apenas para executar funções, mas para compreender processos. Ao longo do curso, o estudante aprende a trabalhar em coletivo, a dialogar entre áreas, a lidar com conflitos criativos, a administrar tempo, orçamento, técnica e linguagem. Isso é formação artística – mas também é formação profissional.

O teatro, por natureza, é um sistema. Envolve criação, produção, técnica, gestão, público, território. Nosso modelo pedagógico simula essa complexidade. O estudante vivencia a prática real, não uma abstração.

Ao mesmo tempo, mantemos um eixo crítico forte. Inspirados em pedagogias dialógicas. O estudante é sujeito do processo, não receptor passivo. Ele aprende a perguntar: que teatro estou fazendo? Para quem? Em qual contexto social e político?

Essa reflexão não enfraquece a inserção no mercado; ela a qualifica. Porque o profissional que pensa sua prática é mais adaptável, mais criativo e mais autônomo. Ele não depende apenas de oportunidades dadas – ele é capaz de criar oportunidades.

Além disso, o campo das artes do palco hoje é ampliado: audiovisual, streaming, eventos, pedagogia, produção cultural, economia criativa, pesquisa acadêmica. Formar artistas com visão sistêmica amplia as possibilidades de atuação.

Equilibrar crítica, experimentação e mercado não é uma equação externa. É entender que o mercado também é um campo de disputa simbólica. E que formar artistas conscientes é fortalecer o próprio ecossistema cultural.

No fundo, nossa meta nunca foi apenas formar empregados. Foi formar criadores capazes de sustentar sua trajetória artística com consistência, ética e inteligência. E talvez seja essa combinação que explique os resultados.

 

Depois de 16 anos de história e agora como faculdade, qual é o próximo sonho? O que você ainda deseja construir a partir dessa nova etapa?

Se eu aprendi algo nesses dezesseis anos é que instituições não sobrevivem de memória – sobrevivem de horizonte.

O credenciamento como ensino superior não é ponto de chegada; é uma plataforma de lançamento. O próximo sonho é consolidar a SP Escola Superior de Teatro como um grande centro de formação, pesquisa e pensamento das artes do palco na América Latina.

Desejo aprofundar a dimensão de pesquisa. Criar núcleos estruturados de investigação em dramaturgia contemporânea, tecnologias da cena, inteligência artificial aplicada às artes do palco, políticas culturais e pedagogia teatral. O teatro não é apenas prática – é também produção de conhecimento.

Também sonho em ampliar ainda mais nossa internacionalização. Já temos um histórico sólido de intercâmbios acadêmicos, mas essa nova etapa nos permite estabelecer convênios mais robustos, programas de mobilidade contínua, duplas titulações e redes de colaboração internacional.

Há ainda um sonho muito brasileiro: fortalecer o diálogo com os territórios. Um estado com mais de 600 municípios precisa de capilaridade cultural. Quero que a Escola continue sendo ponte entre centro e periferia, entre capital e interior, entre tradição e experimentação.

E, talvez o mais importante, desejo que a instituição preserve sua ousadia. Que não se acomode na formalidade. Que continue sendo um espaço onde estudantes possam errar, experimentar, tensionar, criar linguagens novas.

Se eu pudesse resumir, diria que o próximo sonho é simples e complexo ao mesmo tempo: consolidar uma faculdade pública de artes do palco que seja referência acadêmica sem perder a coragem artística.

Porque o teatro só permanece vivo quando continua imaginando o que ainda não existe. E essa nova etapa nos dá justamente isso: a possibilidade de imaginar mais longe – com responsabilidade, mas sem medo.

 

Na região do Brás, um dos prédios da SP Escola de Teatro

 

Fonte: Deus Ateu

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