De Gutenberg à Biblioteca da SP Escola de Teatro

Em meados do século XV, um alemão inventou – ou reinventou – algo que mudaria o curso da humanidade, nos mais diversos sentidos. Ao desenvolver a prensa de tipos móveis de chumbo, Johannes Gutenberg (1400-1468) aperfeiçoou a técnica de impressão criada séculos atrás.

O grande avanço promovido por essa nova tecnologia – que fez com que o inventor fosse reconhecido por muitos como o invento da imprensa – foi permitir que o processo de impressão se tornasse muito mais rápido e econômico que outrora, afinal, o metal absorvia pouca tinta e a fabricação exigia um número bem menor de profissionais.

Merecidamente considerado um dos acontecimentos mais influentes do segundo milênio d.C., a prensa móvel contribuiu largamente, enfim, para a popularização da ciência: a democratização do saber que possibilitou tantos outros inventos aos quais temos acessos atualmente.

A invenção de Gutenberg mudou o mundo justamente porque criou acessos para que mais e mais pessoas se aproximassem e travassem contato com o conhecimento, remodelando-o outras vezes mais e passando à frente num ciclo infinito. O rompimento de barreiras, que hoje também pode ser encontrado na essência da Internet, por exemplo, é, indubitavelmente, o maior objetivo da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

Relembrei essa história porque, sempre que paro para pensar na influência desse alemão, me pergunto: hoje, mais que nunca, qual é o sentido de compartilhar? Ainda é possível acreditar em uma solução para nossos problemas que não seja pelo caminho da solidariedade? O que podemos fazer para dividir com o mundo nossas experiências e conhecimentos?

Parte das mudanças planejadas por nós desde as origens do projeto se dariam, claro, em sala de aula, com um ensino não hierárquico, não acumulativo e modular, que formasse cidadãos com olhar crítico e humano. Mas não queríamos e nem poderíamos parar por aí – não que isso seja pouco; pelo contrário: as centenas de aprendizes que passaram por aqui, tenho certeza, dão continuidade ao que iniciaram aqui e fazem sua parte. Nossa intenção, no entanto, sempre foi modificar o mundo, tanto quanto fôssemos capazes.

Foi pensando nisso que realizamos a maioria de nossas ações e hoje, posso dizer que uma das conquistas que mais me emocionam na Escola é a nossa Biblioteca. Para quem não sabe, temos um acervo incrível, de mais de 9 mil títulos físicos catalogados em sistema automatizado e disponível para consulta online. O mais bonito, porém, é que o custo financeiro desse sonho foi baixo, muito baixo. Inacreditavelmente baixo, eu diria – aliás, algumas de nossas maiores realizações foram atingidas dessa mesma maneira: com a ajuda de pessoas que trabalharam conosco com muito amor e vontade, exigindo em troca esse mesmo envolvimento e nada mais.

Construímos esse espaço praticamente com fundos doados por pessoas de um senso de coletividade capaz de abraçar o mundo: Alberto Guzik, Emílio Di Biasi e Cristiane Riera, entre outros. Eu, mesmo, cedi mais de 900 livros de meu acervo pessoal – e pretendo doar mais.

O que nos levou a esse certo “desprendimento material” – apesar da ligação estreita que pudéssemos sentir com cada página daquelas obras –, foi, creio, o sentimento de que, na verdade, elas nunca nos pertenceram. Sim, isso mesmo: uma única pessoa não pode ser dona de um livro. O livro é do mundo, é universal, e não há ninguém que possa mudá-lo, neste sentido.

Bem, além de mantermos uma Biblioteca totalmente aberta ao público (que agora também está cadastrada no Conselho Regional de Biblioteconomia – 8ª Região), cujo espaço dispõe de área de consulta e computadores de acesso livre à internet, resolvemos subir mais um degrau: levar nossa Biblioteca para a rua. Ou melhor, para a Praça Roosevelt.

Nascia, assim, o Leitura na Praça, projeto com que disponibilizamos uma série de livros para consulta na área do Parquinho Infantil, que ganha ambientação especial projetada por nossos formadores e aprendizes. O objetivo, claro, é incentivar a leitura entre a comunidade do entorno da Escola.

Neste ano, o Leitura na Praça integrou a programação da Virada Educação, que levou mais de 30 atividades gratuitas ao entorno da Praça Roosevelt, sendo a Sede Roosevelt da Instituição uma dos espaços que receberam as atividades.

Atualmente, com o intuito de reforçar o acervo colocado à disposição do público e dar continuidade a essa ação, estamos recebendo doações de livros, especialmente de cunho literário, que devem ser feitas na Biblioteca da Sede Roosevelt da Instituição (Praça Roosevelt, 210 – Centro).

E, assim, sigo firmemente minha convicção: hoje, compartilhar conhecimento, gerando acessos e oportunidades, é meu ato mais nobre.

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