O futuro é logo ali

2014 foi um ano excepcional. No Satyros, esteamos 12 espetáculos inéditos: sete, dentro do projeto “E se fez a humanidade cyborg em 7 dias”; três versões de “Os que vêm com a maré”, de Sérgio Roveri; o infantil “Mitos indígenas”; e, por fim, “Pessoas perfeitas”.

Também vimos nosso filme, “Hipóteses para o amor e a verdade” ganhar as telonas, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e, depois, no Festival Mix Brasil. Até publicamos um livro, o texto de “Pessoas perfeitas”, editado pela Giostri.

Neste ano, compus músicas (com o maestro Marcello Amalfi, criei o tema de “Hipóteses para o amor e a verdade”) e também cheguei a cantar. Participei, como convidado, da faixa “O artista”, do CD “3,1415”, do Luis Pinheiro, que dedicou a canção a mim. Uma honraria que não tem tamanho.

Escrevi prefácios de livros, fui convidado para escrever artigo para uma revista francesa, dei continuidade ao meu doutorado na ECA/USP, organizei e participei de seminários, colóquios e congressos. Dei palestras, também. Várias; inclusive, no exterior. Fiz curadoria para festival, organizei festival e participei de festival, também. Ah, escrevi, também, peças e roteiros para cinema. Um, inclusive, para a Suécia.

Também recebi homenagem e prêmio: a Salva de Prata, da Câmara Municipal de São Paulo e o Prêmio Shell, pelas Satyrianas.

Não é pouco para um ano só. Mas este post é para falar de hoje sobre a última apresentação de “Pessoas perfeitas”, a peça que eu quase não fiz.

Embora escalado para o elenco desde o começo, eu dei muito trabalho na fase dos ensaios. Meu trabalho na SP Escola de Teatro não me dava tréguas e eu faltei a muitos ensaios. Muitos mesmo. Eu até tinha convocado, em silêncio, um substituto. Claro que não me atrevi a falar disso com a equipe. Mas fiquei, o tempo todo, cogitando a possibilidade de ser substituído. Tinha certeza, absoluta certeza que não conseguiria chegar à estreia.

Felizmente, encontrei um grupo de trabalho sensacional que me entendeu e me apoiou o tempo todo. Mas quando a peça se aproximava da estreia, eu era o mais cru, o mais perdido. Tinha vergonha, inclusive, de passar as minhas cenas. Mais canastra e desorientado, impossível.

Mas a paixão surge do improvável, do inefável. Com tanto amor ali (acho que foi o elenco mais apaixonado com quem trabalhei), era impossível não absorver aquela energia. Mas eu sempre me senti um vampiro, aspirando energias que vinham sabe-se Deus de onde. E venci, consegui estrear. Campengando, quase moribundo, mas inteiro.

E, hoje, é a esse elenco e equipe que quero agradecer. Não é sempre que se combinam histórias tão poderosas, encontros tão singulares.

Embora ainda tenha a direção da SP Escola de Teatro para me preocupar nesse restinho de ano, artisticamente me despeço de 2014 com o coração pleno. Realizado mesmo. Faremos hoje, tenho certeza, a melhor apresentação de nossas vidas. Não só porque fechamos um ciclo, mas porque temos futuro. Cuba e Cabo Verde nos aguardam (sim, estamos convidados para apresentações nos dois países). E 2015 é logo ali. E é o futuro que nos interessa.

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