Caminho que se caminha junto

* por Ivam Cabral, especial para o portal da SP Escola de Teatro

 

Costumo dizer que, sem parceiros, sem amigos e sem sonhos, eu não teria chegado a lugar algum. A SP Escola de Teatro, da mesma forma, nem teria sido imaginada sem esses pilares. Muito menos teria a Praça Roosevelt sido revitalizada a partir de um movimento cultural potente e transformador.

Nesses três âmbitos – o da minha vida pessoal e profissional, o da Praça Roosevelt e o da SP Escola de Teatro –, existe um elemento que me ajuda a construir caminhos e que merece todo meu reconhecimento e toda minha gratidão: o grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões.

Os Parlapas apareceram em minha história há quase uma década, quando participaram de uma edição das Satyrianas e, a partir disso, nossos trajetos não foram mais os mesmos. Em um curto tempo, em 2006, se instalaram na Roosevelt e, juntos, topamos o desafio de tentar melhorar aquele espaço por meio da arte. Nosso espírito satyriano, desde o começo, criou uma sintonia imediata com o desses artistas incríveis e inquietos.

Apesar de desenvolvermos pesquisas totalmente diferentes – enquanto nós buscávamos nosso Teatro Veloz e Expandido, eles focavam no humor e em elementos do teatro de rua e de circo dentro da sala de espetáculo –, percebemos logo que os fins de nossas artes eram basicamente os mesmos: instigar a visão crítica do público e, utopicamente, salvar o mundo. A começar pelo “CEP” em comum.

Com dois dos artistas dos Parlapatões, Hugo Possolo e Raul Barretto, o diálogo seguiu, ainda, um passo adiante, desembocando na criação da SP Escola de Teatro. Esses dois homens de teatro, no sentido mais profundo possível, que se dedicaram à arte tanto quanto eu, somaram seus sonhos aos do grupo de artistas de vários coletivos da cidade que pensou nosso projeto, desde o início.

Depois de muito planejamento e suor para que o sonho fosse concretizado, Hugo começou como coordenador do curso de Direção e, Raul, do curso de Humor. Depositei neles minha total confiança, afinal, suas trajetórias de mais de duas décadas são dignas de admiração e eles carregavam dentro de si toda a vontade de experimentação que a empreitada exigia.

Hoje, Possolo coordena o curso de Atuação, enquanto Humor ainda continua sob a batuta de Barretto. Além de estarmos sempre à procura do aperfeiçoamento dos Cursos Regulares, com a ajuda deles, por exemplo, lançamos nossos cursos de circo neste ano. Até agora, foram 17, sob coordenação geral de Hugo, englobando uma ampla gama de especialidades da área. 

E isso não é tudo. Há ainda muito pela frente, sem dúvidas. Que os deuses do teatro continuem fortalecendo encontros como este e apontando novos caminhos de renovação.

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