A ARTE DO SÉCULO XXI, UMA PEQUENA REFLEXÃO

Hoje não somos marxistas ou anarquistas. O máximo que podemos ser é politicamente corretos, fiéis à nossa “autenticidade”. Não existe mais um ideal revolucionário único que mova multidões e tudo o que podemos conhecer se restringe a imagens vazias de qualquer sentido, além daquele que comanda as nossas existências hoje: o de gerar lucro.

O Mercado transformou-se em uma entidade soberana, misteriosa, que se coloca acima dos homens. Valores básicos como a noção de compaixão pela vida humana só são levados a sério pelas grandes empresas, se e quando estes trouxerem um retorno para a imagem da marca, em um dos conceitos de marketing mais sofisticados nos dias de hoje.

O nosso curto tempo “livre” é explorado pelo mercado, como um dos segmentos mais lucrativos dos tempos modernos. Nossas atividades vão do turismo (hotéis, aviões, guias, Disneylândia e tudo o mais) à leitura (e o mercado editorial), passando pela música (e a poderosa indústria fonográfica), pelo cinema e pelo teatro.

Hollywood é uma das mais bem estruturadas manifestações da indústria cultural. As grandes corporações criam, então, uma cesta de produtos que reduzem o risco excessivo e protegem o investimento: um longa-metragem para adolescentes americanos entre 13 e 19 anos, outro filme para o nicho de mercado das mulheres independentes, um filme radical para os alternativos.

Essa indústria do entretenimento, ao mesmo tempo em que se curva ao Senhor Consumidor e banaliza seu produto, a fim de torná-lo acessível a um público maior, cria uma geração de seres humanos anestesiados, incapazes de uma experiência profunda e transformadora. Ela se coloca, simplesmente, acima das questões existenciais banais. Tornamo-nos apenas consumidores a serem encaixados em uma de suas categorias, segundo nossa classe social, nosso nível educacional, nossa faixa etária.

Estamos nós também recebendo rótulos como qualquer produto. E quando as mercadorias nos olham, nós nos tornamos seus objetos de desejo.

A arte só pode ser considerada iluminação da existência e “reduto da esperança”, como nos ensina Adorno (Theodor Adorno, 1903-1969), se conseguir manter viva a utopia da Humanidade, trazendo a Verdade com a única perspectiva honesta que nos resta hoje em dia: nossa visão enquanto artista.

Assim, o teatro vivo e pulsante, tal como as outras artes, negará a indústria e o mercado, o consumidor e o lucro. Coabitando com essas dimensões da estrutura social, esse teatro irá buscar sua integridade além delas. A desalienação do artista torna-se, nesse caso, elemento fundamental para a criação de um teatro significativo. Somente a partir do momento em que o ator se percebe como agente social efetivo, através da arte, o espectador pode viver uma experiência teatral plena.

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