São Paulo é esmiuçada de 3 formas distintas em filmes

Solidão e medos são tópicos comuns aos roteiros das diferentes produções

Estreante aborda marginais; carioca radicado em SP, família desagregada; veterano, o ideário de imigrantes

GUILHERME GENESTRETIDE SÃO PAULO

Num filme, capital da solidão, do consumo recorde de calmantes, dos inferninhos. Noutro, lar de gente sofrida, que labuta em feiras livres. Num terceiro, cidade com um quê mitológico, onde selvagens albinos habitam as margens do Tietê.

A cidade de São Paulo surge como mais que cenário em três dramas em exibição na 38ª Mostra de Cinema, segundo a visão de três diretores cuja trajetória é indissociável da capital paulista.

“Hipóteses para o Amor e a Verdade”, de Rodolfo García Vázquez, é a primeira empreitada do grupo teatral Os Satyros no cinema. O filme é baseado na peça homônima da companhia, que desbravou a violenta praça Roosevelt do início dos anos 2000.

No filme, travestis, prostitutas e solitários de todo tipo “circulam pela cidade como zumbis à procura de amor”, segundo o diretor, que diz que “a cidade inteira roda pelo centro e consome o trabalho” de pessoas como seus personagens.

Em “Ausência”, de Chico Teixeira, Serginho (Matheus Fagundes) é um adolescente forçado a trabalhar desde cedo como feirante para sustentar a mãe, alcoólatra (Gilda Nomacce), e o irmão mais novo. O sumiço do pai o leva a buscar carinho num professor (Irandhir Santos).

“É a solidão na cabeça de um adulto de 15 anos, que mistura afeto com sexualidade”, descreve Teixeira o personagem de Fagundes, melhor ator no Festival do Rio.

Com “Ausência”, o diretor volta ao universo da classe C paulistana, já visitado em “A Casa de Alice” (2007).

“A classe média baixa me passa muita sinceridade. Não tem medo de soltar os demônios”, diz o diretor carioca, que mora em São Paulo há mais de 30 anos. “Amo o mau humor autêntico daqui.”

ANGÚSTIA

Em “A Cidade Imaginária”, de Ugo Giorgetti, São Paulo não aparece, mas permeia o filme todo.

Na trama, encenada num navio, um grupo de imigrantes italianos na noite anterior ao desembarque em Santos especula sobre o que esperar do destino final. Uns dizem que é lugar de monstros, outros estão receosos quanto a índios e negros, um deles teme mais o governo.

“Quis retratar essa angústia de chegar a algum lugar e não saber nada sobre ele, o que dá origem a esse novelo de superstições e informações erradas”, diz o diretor dos paulistaníssimos “Sábado” (1995) e “Boleiros” (1998).

 

HIPÓTESES PARA O AMOR E A VERDADE

DIREÇÃO Rodolfo García Vázquez
PRODUÇÃO Brasil, 2014; 16 anos
MOSTRA seg. (20), às 14h, no Espaço Itaú “” Frei Caneca 4; qui. (23), no Cine Livraria Cultura 1, às 16h, R$ 16

AUSÊNCIA

DIREÇÃO Chico Teixeira
PRODUÇÃO Brasil, 2014; 14 anos
MOSTRA seg. (20), às 19h30, no Cinesesc; seg. (27), às 17h35, no Caixa Belas Artes 4, R$ 16

A CIDADE IMAGINÁRIA

DIREÇÃO Ugo Giorgetti
PRODUÇÃO Brasil, 2014; livre
MOSTRA dom. (26), às 21h, no Cinesesc, R$ 20; seg. (27), às 20h, no Cinemário; ter. (28), às 19h, na Faap, grátis

Fonte: Folha de S. Paulo, 20 de outubro de 2014

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