Na SP Escola de Teatro, intercambistas de Portugal, Moçambique e Uruguai

Há um ano, os cubanos Reinol Sotolongo e Eugenia Alvarez e a portuguesa Silvana Ivaldi chegavam na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco para dar início aos estudos nos Cursos Regulares.

Ontem (10), foi a vez de a Escola receber três novos intercambistas, cada um vindo de um País e, inclusive, de continentes diferentes: a uruguaia Jimena Ríos vai estudar Cenografia e Figurino, enquanto a moçambicana Rita Couto e o português Bernardo Xavier vão cursar Atuação.

Ainda que venham de lugares distantes um do outro, todos eles deixaram seus países com sonhos na mala e muita sede de teatro, prontos para mergulhar em um novo desafio.

Desafio, aliás, é uma boa palavra para explicar o que é o teatro para Bernardo. Hoje com 26 anos, sua trajetória no palco começou há relativamente pouco tempo e de uma forma inusitada. Há dois anos, o único grupo de sua cidade precisava de mais uma pessoa para completar o elenco. Apesar do inevitável susto pelo convite, o então estudante de Direito aceitou o “chamamento” e, desde então, nem pensa em abandonar o barco.

“O teatro entrou em minha vida de uma forma incompreensível, mostrando que não há limites. Tenho deixado que ele preencha minha vida. Gosto, acima de tudo, do contato com pessoas”, revela, antes de comentar que conheceu a Escola pela internet. Sentia que precisava sair de sua cidade e se afastar do que havia construído até então para que pudesse aprofundar seus estudos. Era a oportunidade ideal.

Se o primeiro contato do aprendiz com a Instituição foi virtual, com Rita Couto foi diferente. Ela conheceu a Escola no ano passado, enquanto viajava por São Paulo. “Fui muito bem recebida aqui e, como já tinha um grande interesse, percebi que poderia crescer com esse sistema, que valoriza a prática e a mistura com os outros cursos”, diz.

Nem todos sabem, graças à sua discrição, mas a jovem de 23 anos é filha de Mia Couto – pseudônimo de António Emílio Leite Couto –, renomado biólogo e escritor moçambicano, mundialmente reconhecido e homenageado, em 2013, com o Prémio Camões.

Antes de chegar à Escola, Rita cursava Ciências Sociais e desenvolvia um grupo de teatro, além de ter participado de alguns cursos de performance e atuação, em Lisboa.

A mudança de uma cidade “pequena” para uma metrópole como São Paulo também surte efeito em Jimena Ríos. Apesar de ser a maior cidade do Uruguai, com mais de 1,3 milhões de pessoas, Montevidéu já não oferecia a ela mais tantos caminhos. Aos 24 anos, decidiu deixar a terra natal e sua companhia, a Oigo Luces, e sair em busca de uma nova aventura.

“Sentia necessidade de aprofundar meus conhecimentos na área e recebi recomendações sobre a Escola. Uma das coisas que mais me atraíram foi a ênfase no campo da performatividade. A ideia de coletivo e a possibilidade de firmar novas relações também me chamaram a atenção”, ela afirma.

Ivam Cabral, diretor executivo da Escola, recepcionou os intercambistas e demonstrou a importância da concretização de parcerias como essa, lembrando que, em alguns dias, um aprendiz de Cabo Verde ainda chegará para completar o time.

“Foi uma reunião pra lá de especial. Hoje firmamos compromissos e falamos, também, de futuro. Porque o que a gente quer, de verdade, é mudar o mundo! No ano passado, nossos pupilos vieram do Instituto Superior de Artes – ISA, Cuba. Neste ano, representantes de várias instituições de Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Uruguai. É a SP fazendo história!”, arremata.

Fonte: SP Escola de Teatro, 12 de fevereiro de 2014 (na foto, Rita Couto, Bernardo Xavier e Jimena Ríos, rodeados por Óscar Cutello, Ivam Cabral e Cléo De Páris)

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