Funcionário da Mostra prejudica fim do filme Hipóteses para o Amor e Verdade, do Satyros

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A sessão de estreia do filme Hipóteses para o Amor a Verdade, primeira produção de longa-metragem do Satyros Cinema, do grupo teatral Os Satyros, tinha tudo para ser uma noite de emoção fervilhantes.  E foi.

O grupo que celebra 25 anos lotou a plateia da sala 4 do Espaço Itaú de Cinema da rua Augusta, em São Paulo, nesta quinta (16), para assistir ao longa dirigido por Rodolfo García Vázquez na Mostra Internacional de Cinema.

Com Cléo De Páris, Ivam Cabral, Nany People, Gustavo Ferreira, Robson Catalunha, Paulinho Faria, Luiza Gottschalk, Tiago Leal, Fábio Penna, Phedra D. Córdoba e Tadeu Ibarra, entre outros, o longa faz um poético retrato sobre a solidão dos moradores de São Paulo, expondo tanto a crueza da cidade quanto seus controversos habitantes.

Som foi cortado e luzes se acenderam

Um fator, contudo, prejudicou o lançamento. Assim que a última cena foi ao ar e os créditos finais iriam começar, o funcionário da Mostra responsável pela exibição mandou cortar o som e acendeu a luz de serviço com a plateia ainda mergulhada na emoção da última cena.

Com ar impaciente, o funcionário avisou, diante da telona, com os créditos ainda subindo, que a equipe tinha horário para ir embora. Pouco passava das 23h. O metrô fecha à meia-noite.

Irritado com a intromissão na experiência estética da plateia com o fim do filme, o roteirista e ator Ivam Cabral pediu, “por favor, que se respeitasse o crédito final”, que “as pessoas que trabalharam no filme estavam na plateia”, e que era um filme da cidade que “mereciam essa atenção” da Mostra.

Mesmo assim, o funcionário não voltou com o som. Muito pelo contrário, saiu e entrou na sala 4 de forma impaciente, batendo a porta atrás de si, enquanto os nomes continuavam a subir na telona de forma melancólica e silenciosa.

Ao fim, Ivam Cabral compartilhou com a plateia seu desalento. Afirmou ser aquilo “um desrespeito com o cinema brasileiro”. Rodolfo García Vázquez ainda respondeu a questões do público sobre a obra de forma rápida. Disse que o filme “tentou trazer elementos do teatro para o cinema”. Mais calmo, Ivam Cabral ainda falou que ficou surpreso de ver que a peça Pessoas Perfeitas, que o grupo encena atualmente, é anunciada no filme de forma sutil e natural.

Pedido de desculpas

Presente na sessão, o R7 ficou espantado de ver algo assim justamente na Mostra Internacional de Cinema, que já em sua 38ª edição sempre se destacou por valorizar a produção cinematográfica nacional.

Procurada pela reportagem, a assessoria do evento informou a seguinte frase: “A Mostra pede desculpas pelo ocorrido e informa que já tomou as providências necessárias junto ao mediador do debate da noite”.

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