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Publicado em setembro 29th, 2014 | por qubedesign

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Análise: O camarim de Pessoas Perfeitas, o efêmero e Paulo Autran

Trajetórias de atores dignos se cruzaram num mesmo momento, na cabeça de um espectador anônimo

Por RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ
Especial para o R7*

O camarim de Pessoas Perfeitas fica no corredor antes da entrada e/ou saída do teatro. Isso significa que, para o bem e para o mal, os atores ficam expostos aos olhares do público em ambas as situações.

São atores de coragem, ficarem ali expostos aos olhos do público, ao final do espetáculo, desnudos de maquiagens, perucas e personagens. Mas acontecem pequenas coisas extraordinárias, especialmente com os espectadores que saem mais tocados do espetáculo.

Alguns param diante do camarim de seus personagens/atores favoritos e parece que especulam com os olhos como surgiu a magia daquilo que acabaram de assistir.

Diante de Adriana Capparelli , dizem “Boa noite, Maristela!”. Diante de Julia Bobrow e Henrique Mello, especulam se é possível que aquele amor de palco continue no camarim. Diante de Marta, especulam onde estaria Suzana e olham para Eduardo Chagas Ator buscando a fragilidade que ele leva ao palco. Ao ver o Fábio Penna, relembram seu descaso pela mulher por ele apaixonada há 20 anos.

Com Ivam Cabral, nesta sexta (26), por exemplo, aconteceu algo tocante. Um espectador parou no meio do corredor, e visivelmente emocionado, disse: “Ivam, você faz três personagens completamente diferentes, e passa de um para o outro com tanta facilidade, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu não consigo me lembrar de outro ator a fazer isso com tanta naturalidade, só mesmo o Paulo Autran”.

É o tipo de elogio que um ator recebe com o coração cheio de espanto e alegria. E no caso do Ivam, ainda mais, por saber o tamanho do amor e carinho que ele e o Paulo tinham um pelo outro, desde os anos 1980 até os últimos dias do Paulo.

Trajetórias de atores dignos se cruzaram num mesmo momento, na cabeça de um espectador anônimo (que a partir desse momento passou a ter um nome, Igor). Nessas horas, o teatro deixa de ser efêmero e alcança outros horizontes.

*Rodolfo García Vázquez é diretor e fundador do grupo teatral Os Satyros.

Fonte:  R7

 


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